quarta-feira, 13 de abril de 2016

O PAI – Dom Pedro de Alcântara

O PAI – Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim.
Da Ilustríssima Casa Real de Bragança

Dom Pedro de Alcântara foi um Homem de seu Tempo.
Criado na denominada Monarquia Tradicional, com suas Tradições estabelecidas desde o final da Crise de 1383–1385, um período de guerra civil, também conhecido como Interregno, já que não existia um Rei no Poder, quando o Mestre de Aviz se tornou El Rey Dom João I, o de Boa Memoria, com apoio de D. Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal, da Nobreza, da Burguesia Mercantil, e da Inglaterra ( graças a seu casamento com Filipa de Lencastre, João de Gante, 1.º Duque de Lencastre, filho de Eduardo III, Rei de Inglaterra, e com sua mulher Branca de Lencastre, leia-se Aliança Luso-Britânica de 1373), soube se colocar ao “sabor dos ventos liberais”.
Dom João VI agia segundo o princípio de que Sua Soberana Pessoa encarnava a Monarquia, portanto “ a ele cabia o ofício real de governo, é sobretudo o de reger e coordenar a administração do Reino Unido, em vista do bem comum em harmonia social”.
Quando os “ventos liberais” impulsionados pela Revolução Liberal do Porto de 24 de agosto de 1820 sobraram no Rio de Janeiro, Dom Pedro de Alcântara 
colocou o tricórnio na cabeça de seu Augusto Pai, colocou sua espada a cinta, o enfiou numa carruagem, que mais parecia uma traquitana, e o arrastou de São Cristóvão para o Paço da Cidade, passando pelo Largo do Rocio, onde o populacho estava reunido, para jurar sobre a  Constituição de Cádiz ( Constituição liberal espanhola de Cádiz de 1812) – jur5amente esse realizado enquanto não ficasse pronta a nova Constituição a ser elaborada em Portugal pelas Pela Côrtes Geraes, Extraordinarias, e Constituintes, também chamadas de Soberano Congresso - dando assim prova da aceitação do Velho Monarca a Monarquia Constitucional.
Em 29 de abril de 1826, Dom Pedro já Rei de Portugal e do Algarves e seus domínios decretou a Carta Constitucional onde ficou instituídas as Cortes Geraes, compostas pela Câmara dos Pares e pela Câmara dos Deputados.
“ A Carta Constitucional consagra, como representantes da Nação, o Rei e as Cortes Gerais e procura um compromisso entre os ideais liberais expressos na anterior Constituição e as prerrogativas reais”.
Dom Pedro IV “ nomeia 72 pares do Reino para constituir a 1ª Câmara e determina a realização de eleições nos termos da Carta, vindo a abdicar, pouco tempo depois, na sua filha, a futura Rainha D. Maria II”.
Com isso passa a ser reconhecido como um Homem de seu Tempo.
Um Homem de seu Tempo que pugna pelo Liberalismo, mas um Liberalismo Monárquico no qual é mantida a Tradição da Monarquia Portuguesa, e em especial a Pessoa do Rei inviolável e sagrada que continua sendo o Chefe Supremo da Nação, que como o Poder Moderador é o mantenedor do equilíbrio, da harmonia, e da independência entre os Poderes Políticos, uma nova redação para o velho princípio joanino de “em vista do bem comum em harmonia social”.
Morreu sendo um Liberal, um Homem de seu Tempo, e legando para os filhos um reino europeu e dois Impérios...



O Libertador
O Rei-Soldado
O Rei-Imperador
Defensor Perpétuo do Brasil

Sua Majestade Imperial Dom Pedro, I Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil
Sua Majestade Fidelíssima, Dom Pedro IV, Rei de Portugal e Algarves, de ambos os lados do mar da África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.
Sua Alteza Imperial o Duque de Bragança
  


“ O Palácio Real de Queluz e os seus jardins históricos constituem um exemplo marcante da ligação harmoniosa entre paisagem e arquitetura palaciana em Portugal. Ilustram a evolução do gosto da Corte nos séculos 18 e 19, período marcado pelo barroco, rococó e neoclassicismo. Mandado construir em 1747 pelo futuro D. Pedro III, consorte de D. Maria I, o hoje Palácio Nacional de Queluz foi inicialmente concebido como residência de verão, tornando-se espaço privilegiado de lazer e entretenimento da Família Real, que o habitou em permanência de 1794 até a partida para o Brasil, em 1807, na sequência das invasões francesas”.
“ No Palácio Real de Queluz, frequentemente de "o Versalhes português”, foi construído um aposento denominado de Quarto Dom Quixote por ter 18 pinturas decorativas representando episódios da história de Dom Quixote de La Mancha”.
Fonte: http://www.turistaprofissional.com/2014/12/02/quarto-de-d-pedro-no-palacio-de-queluz-em-portugal-e-aberto-a-visitacao/



Em julho de 1798, em Portugal, Sua Alteza Real o Príncipe do Brasil, Duque de Bragança, etc, o senhor Dom João Maria, então Regente dos negócios do Reino e do Império Transcontinental em nome de sua Augusta Mãe, Dona Maria I, pela Graça de Deus, Rainha de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc., mandou que providenciasse o Quarto D. Quixote do Paço Real de Queluz para que sua esposa, Dona Carlota Joaquina, pudesse parir com tranquilidade o filho que o casal estava esperando.
Para bom êxito do Real Evento, ordenou que fossem realizadas “ despezas com o preparo do Quarto da Princeza Nossa Senhora D. Carlota para o seu parto, como também do dito para a Pessoa Real que há-de nascer”, a saber:
1-     Aquisição das rendas para as toalhas do batizado, do berço, despesas com as amas de leite e pagamento aos músicos que tocaram no Te Deum por ocasião do nascimento, na Capela real do Paço de Queluz:
Por vinte e duas varas e meia de renda fina para se guarnecerem quatro toalhas que hão de servir no Baptismo da Pessoa Real que há-de nascer, a preço de 3$550 a vara de que não passou recibo a pessoa que a vendeo por ser contrabandista;
2-     Berço em madeira de Mogno para o Real Serviço. Mestre Marceneiro
António Silverio;
3-     Feitio da Roupa para as camas das mulheres de Leite que hão de dar de mamar à Pessoa Real que há-de nascer;
4-     Pagamento a Músicos para tocarem no Te Deum da Real Capela de Queluz (…) quando a Princeza Nossa Senhora D. Carlota Joaquina tiver o seu bom sucesso;
5-     A ordem dada pelo Patriarca de Lisboa para que se realizassem preces em todas as igrejas de Lisboa para o bom sucesso do nascimento e do parto da Princesa D. Carlota Joaquina, é publicada no Suplemento ao nº 39 da Gazeta de Lisboa, 28 de setembro, edição de 6ª feira:
LISBOA 28 de Setembro.
Por estar próximo o termo da gravidação da Princesa N. S., ordenou o Eminentíssimo Cardeal Patriarca que em todas as Igrejas desta capital se fizessem Preces diariamente desde 21 deste mês até ao dia do parto de S. A. R..

O Ato Auspicioso:

No dia 12 de outubro de 1798, Sua Alteza Real a Princesa do Brasil e Duquesa de Bragança, Dona Carlota Joaquina, pariu um filho varão para alegria de todos e felicidade geral do Reino dos Bragança.
Assim foi dada a notícia através do nº 42 da Gazeta de Lisboa, 16 de outubro de 1798, edição de 3ª feira:
LISBOA 16 d’Outubro.
A Princesa N. S. tendo completado o termo da gravidação, deo felizmente á luz a 12 deste mez pelas 6 horas e meia da manhã hum formoso infante. Este grato sucesso se annunciou logo com repiques de sinos de todas as Igrejas desta Capital, e salvas de artilheria das Fortalezas, e dos Navios de S. M. surtos neste porto, que apparecêrem logo todos empavezados.


Sua Alteza, o Sereníssimo Dom Francisco António Pio de Bragança, Príncipe da Beira, que havia nascido em 21 de março de 1795 ainda era vivo, e o segundo depois do pai, o senhor Dom João Maria, na Ordem de Sucessão a Coroa ou ao Trono de Portugal, do Algarves e seu imenso Império Transcontinental, portanto o recém-nascido era o terceiro membro da Casa de Bragança nessa Linha sucessória.
A notícia do batizado do recém-nascido Infante D. Pedro, encontra-se no nº 43 da Gazeta de Lisboa, 23 de outubro de 1798, edição de 3ª feira:

LISBOA 23 d’Outubro.
A 19 da corrente de tarde na Capela do Real Palacio de Queluz administrou o Eminentíssimo Cardeal Patriarca o Sagrado Baptismo ao Sr. Infante recém-nascido a quem se puseram os nomes de Pedro d’Alcântara, Francisco, António, João, Carlos, Xavier, de Paula, Miguel, Rafael, Joaquim, José, Gonzaga, Pascoal, Cypriano, Serafino.
Foi padrinho o Sr. Infante d’Hespanha D. António, representado por seu sobrinho o Infante D. Pedro Carlos, e madrinha a Sereníssima Senhora Infanta D. Maria Anna, irmã de S. M.



A Corte da senhora Dona Maria I, que beirava a meio milhar de pessoas, não era nem um pouco agradável, e porque:
1-     Porque a Casa Real seguia ipsis litteris a Tradição, que era regulada por rigorosas normas fixas sem nenhum tipo de concessão quanto a sua disciplina;
2-     Porque a Rainha estava sofrendo das faculdades mentais, tendo alucinações apavorantes;
3-     Porque os membros da Realeza passavam suas existências de maneira burguesa, e o que é pior entre o cheiro de velas e incenso. Os Reais, empencados de frades, viviam de missas em missas, sempre ocupados com as rezas, com as novenas, com as ladainhas, aos pés dos santos e carregando seus bentinhos;
4-     Porque os Palácios – O Palácio com seu esplendor e magnificência, verdadeiros cenários de poder, onde se desenvolviam os rituais cortesãos e onde o Soberano  era uma figura intangível - estavam atulhados com os Oficiais da Casa - Alferes Mor, Almotacé Mor, Aposentador Mor, Armeiro Mor, Capelão Mor, Capitão da Guarda Real, Capitão da Guarda Real Alemã, Copeiro Mor, Corregedor do Crime da Corte e Casa, Esmoler Mor, Estribeiro Mor, Gentil-Homem da Câmara, Meirinho Mor, Mestre Sala, Monteiro Mor, Mordomo Mor, Porteiro Mor, Provedor das Obras Reais, Reposteiro Mor, Tesoureiro da Casa Real, Trinchante, Vedor, etc - isso sem contar com os serviçais menores, tais como os do serviço das cozinhas, os lacaios, os cavalariços, os estribeiros, etc;
5-     Porque os cortesãos apavorados com os ‘ecos de Paris’, com o que estava acontecendo na Belle France com os Bourbons e com a nobreza de lá, criavam um clima sufocante de medo, de angustia, e porque não disser de covardia, e o cheiro do covarde é terrível adentra pelas narinas e é difícil de sair;
6-     Dona Carlota Joaquina, devassa e ambiciosa, conspirava abertamente contra Dom João, criando assim partidos; 
7-     As constantes ameaças francesas, espanholas e inglesas;
8-     Os partidários políticos das potencias europeias em conflito, especialmente a França e a Inglaterra, que azucrinavam a cabeça do pobre do Principe Regente....

E por aí ia...
Logo, ante esse quadro deprimente qualquer tipo de alegria se foi, o que deveria ser muito cruel, muito duro, para os pequenos Príncipes da Casa Real de Bragança.  
Uma pergunta eu sempre fiz:
Será que alguém ria na Corte da senhora Dona Maria???
Enfim...

                        Infância e Mocidade de Dom Pedro de Alcântara:

Dona Carlota Joaquina nunca foi boa em nada para Dom Pedro, e ele encontrou em Dona Maria Genoveva do Rego e Matos, sua primeira “mestra, zeladora, defensora, etc...”, uma substituta para a mãe ausente, uma pessoa que apesar de ser “austera e grave" lhe deu o amor e a cumplicidade de uma mãe.
Ela o chamava de “ meu menino” e era a única pessoa no mundo que ele obedecia e aquém nunca negou nada.
Cuidou dele quando ele teve sarampo em fevereiro de 1803 (as Princesas D. Maria Teresa, D. Maria Isabel, D. Maria Francisca, D. Isabel Maria e o Príncipe D. Miguel, também, tiveram sarampo), de sua inapetência por causa das lombrigas em abril de 1804, e quando do regresso de Dom João VI a Lisboa em 1821, Dona Maria Genoveva se recusou a retornar porque “seu menino não ia”, e cá no Brasil ficou.
Um outro mestre de destaque foi José Monteiro da Rocha, nomeado Tutor de Dom Pedro.
José Monteiro da Rocha nasceu em Canavezes, uma pequena localidade perto do Marco de Canavezes, sendo filho primogénito de um casal de agricultores, Maria e João Teixeira, nasceu em 25 de junho 1834 e veio a falecer em S. José de Ribamar, Carnaxide, Lisboa, em 11 de dezembro 1819.
Tornou-se jesuíta em 1752, mas com a expulsão dos jesuítas de Portugal em 1759 abandonou a ordem religiosa e foi ordenado padre secular em São Salvador da Bahia de Todos os Santos, Salvador, Bahia, em 1760.
Matemático e astrónomo ficou encarregado das cadeiras de Ciências Físico-Matemáticas, nomeadamente de Mecânica e Hidrodinâmica. Em 1783 passou a reger a cadeira de Astronomia e em 1795 foi nomeado diretor do Observatório Astronómico.
Por volta de 1804 Monteiro da Rocha tornou-se membro da Sociedade Real da Marinha e vice-presidente da Junta da Direção Geral de Estudos.
Foi agraciado como membro da Ordem de Cristo e tornou-se Conselheiro do Príncipe Regente D. João.
Em 1804 deixou Coimbra e fixou-se em Lisboa, onde passou a frequentar a Corte graças a sua posição de Tutor de Dom Pedro de Alcântara, posição esta que ocupou até à transmigração da Família Real para o Brasil.
Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p5.html
Mais outros:
Foram, também, seus mestres para os estudos gerais os frades Antônio de Nossa Senhora da Salete e Antônio de Arrábida.
Rene Pierre Boiret, e Guilherme Paulo Tilbury para línguas francesas e inglesas. O erudito João Rademack, sábio e poliglota, ministro de Portugal na Dinamarca e em Buenos Aires, “ que atuou como preceptor do Príncipe, no sentido preciso e restrito do termo”.
Um fato curioso sobre João Rademack foi que ele morreu envenenado por sua escrava, e depois desta morte ‘suis generis’ foi que Dom Pedro abandonou definitivamente os estudos.
Tinha aulas de equitação com João Damby e Joaquim Carvalho Raposo.


Musicista compôs várias peças, mas explorou seus dons tendo aulas com o brasileiro José Maurício Nunes Garcia (padre católico, professor de música, maestro, multi-instrumentista e compositor), com o português internacionalmente conhecido Marcos António da Fonseca Portugal, ou simplesmente Marcos Portugal (compositor e organista de música erudita), e com o austríaco Sigismund von Neukomm (compositor, pianista, patrono da cadeira de número 6 da Academia Brasileira de Música, que viveu e trabalhou no Rio de Janeiro de 1816 a 1821. Teria sido também espião e homossexual).
Relembremos que a letra do Hino da Independência foi composta por Evaristo da Veiga, sendo a música de Dom Pedro I.
Hoje, na República, não cantamos algumas estrofes, contudo elas merecem destaque porque retratam os ânimos no Brasil na época da Independência:
O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
(Refrão)
Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugiram apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
 (Refrão)
Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
 (Refrão)
Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
 (Refrão)
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
 (Refrão)
Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
 (Refrão)

Aí está um hino verdadeiramente patriótico totalmente esquecido do Povo Brasileiro.
Mais, voltemos:

Alguns dos Bourbons eram dados aos trabalhos manuais, como Luiz XVI, Rei de França, um bonachão que gostava de consertar relógios.
Os portugueses são extraordinários marceneiros, e Dom Pedro como um Borbón e bom português era um excelente marceneiro.
Li não sei onde que foi ele que encaixotou de martelo em punho o mobiliário, quadros, alfaias, etc, que levou para a Europa quando de sua abdicação ao Trono Imperial do Brasil em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho D. Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II.
Mas, Dom Pedro não era lá de estudos e se dedicava mais “equitação, as atividades físicas, especialmente a caça, em Portugal, e no Brasil, a vida solta com música, fandango e mulheres”.   

O Herdeiro do Trono do Primeiro Império Globalizado:
Francisco António Pio de Bragança
Com 6 anos de idade.

Mas, como se sabe o homem põe, e Deus dispõe, e Dom António, é vitimado pela varíola com apenas seis anos de idade morrendo no dia 11 de junho de 1801.
Assim foi dada a notícia no Suplemento ao nº 24 da Gazeta de Lisboa de 19 de junho 1801:
LISBOA 19 de Junho.
Havendo enfermado de bexigas a 30 de maio o Serenissimo Senhor D. António, Príncipe da Beira, dentro de poucos dias offereceo o mal symptomas terríveis.
O ver porém todos s seus Augustos Irmãos restabelecidos da mesma enfermidade, foi hum prognostico de alguma consolação; mas por infelicidade durou pouco tempo.
Como pois, a pezar de todos os socorros da Arte, se tornassem mais temerosos os symptomas, determinou logo o Principe Regente N.S., por efeito da sua grande piedade religiosa, unida ao seu singular desvelo paternal, que se implorasse o auxilio do Ceo; e em consequência se fizeram Preces publicas em todas as Igrejas desta Capital.
Não foi porém do agrado da Providencia ouvir estas rogativas, pois, a pezar das esperanças que havia de que  fossem fructosas, passou S. A. R. a melhor vida a 11 do corrente pelas 8 e meiada noite, em idade de 6 annos, 2 mezes e 20 dias.
Esta grande perda deixou a seus Augustos Pais penetrados da maior mágoa, não só pelo carinho e ternura com que amavão o defunto Principe, senão também por conhecerem de mais perto as raras qualidades que possuía em grão muito superior ás peculiares de taes anos; porém em meio de tão viva dor derão novas provas da sua constante piedade, sofrendo com huma verdadeira resignação Christã o expressado golpe, que igualmente afectou as demais Pessoas Reaes, e a toda a Corte.

Ouvide, ouvide, ouvide, estai atentos
O Principe Herdeiro morreu, viva o Principe Herdeiro.
Palavras do Rei d’Armas

E Dom Pedro de Alcântara passa a ser o Principe Herdeiro presuntivo do Trono de Portugal, do Algarves e seu imenso Império Transcontinental, o segundo depois do pai, o senhor Dom João Maria, na Ordem de Sucessão a Coroa, com o tratamento e o Título de Sua Alteza Real o Príncipe da Beira.
  


16 de maio de 1806 a Grã-Bretanha decreta o bloqueio marítimo à França, da foz do Elba ao porto de Breste, e como revanche em 21 de novembro Napoleão determina o Bloqueio Continental pela França: interdição de todo o comércio com a Inglaterra, mesmo aquele dirigido para países neutrais.
Em 27 de julho de 1807, Napoleão Bonaparte ordena a concentração de forças militares francesas em Baiona, na fronteira franco-espanhola.
Em 11 de agosto de 1807, o Regente de Portugal é intimado através de Maximilien Gérard, comte [ Conde ] de Rayneval, secretário da Embaixada Napoleônica em Portugal, a:
1-     Declarar guerra à Inglaterra dentro de um prazo de vinte dias;
2-     Fechar as suas portas aos navios ingleses;
3-     Incorporar seus navios à esquadra francesa;
4-     Confiscar os bens e prender os súditos ingleses
Em 30 de agosto de 1807, em reunião com o Conselho de Estado m o Principe Regente aceitou a ideia de se enviar para o Brasil apenas o Príncipe da Beira (D. Pedro de Alcântara, herdeiro do trono) e as Infantas. “Começaram imediatamente os preparativos para a saída do Príncipe da Beira e das Infantas, mandando-se aprontar uma esquadra de quatro naus. As restantes naus da Armada portuguesa ficariam em defesa do porto de Lisboa”.
Em 2 de setembro de 1807, Copenhagen, capital do Reino da Dinamarca, é bombardeada por uma frota britânica, devido à sua aliança com a França.
Em 5 de setembro, o Coronel-general dos Hussardos Andoche Junot, la Tempête, a Tempestade, antigo embaixador da França em Portugal, nomeado para o comando do Corpo de Observação da Gironda chega a Baiona, na fronteira franco-espanhola.
Em 12 de setembro é assinado um Tratado sigiloso entre Portugal e a Grã-Bretanha.
Em 25 de setembro, para ganhar tempo, Dom João declarar aderir ao Bloqueio Continental, por meio de uma carta de António de Araújo de Azevedo, secretário de estado dos negócios estrangeiros, enviada ao seu homólogo francês.
Entre 30 de setembro e 1 de outubro de 1807, os diplomatas franceses e espanhóis abandonam Lisboa, por terem sido consideradas insuficientes as respostas às exigências de Napoleão feitas em agosto.
A Guerra Luso-franco-española é inevitável.
Em 2 de outubro de 1807, numa proclamação ao «Estado do Brasil», o Príncipe-Regente fez saber que nomeara Sua Alteza Real Dom Pedro de Alcântara, Príncipe da Beira, seu filho e herdeiro, o segundo na Linha de Sucessão ao Trono, o «Condestável do Brasil».
Em 22 de outubro de 1807, diante do perigo emitente, já conhecedor da vontade de Napoleão em relação ao territorio português e as suas colônias, a sua Dinastia, a Dinastia de Bragança, de varre-la da face da terra - “Se Portugal não fizer o que quero, a Casa de Bragança não reinará mais na Europa em dois meses”- o Principe Regente assinou com o Rei da Grã-Bretanha outra Convenção secreta, outro Tratado Secreto, que estipulava as condições para o apoio por parte dos ingleses da transferência para o Brasil da Monarquia portuguesa.
A paga, querendo uns, ou não querendo outros, seria a ocupação da Ilha da Madeira por tropas britânicas, e a abertura dos Portos do Brasil as Nações amigas, no caso somente a Inglaterra, pois as demais estavam em guerra na Europa.
Essa abertura significava a revogação do Pacto Colonial, ou Exclusivo Comercial Metropolitano, o sistema de leis e normas que estava submetido o Brasil, ou seja, “ negociar diretamente apenas com a Metrópole (Portugal) sem a interferência do mercado externo (que seriam os outros países internacionais).
O sacrifício era pouco frente a salvação da Dinastia de Bragança, a sua amada Dinastia, e Dom Joao não pestanejou, assinou.
Resumo da Convenção: ·
1-      O embarque da família real para o Brasil, no caso de Portugal ser invadido;
2-      A proteção marítima inglesa ao Príncipe - Regente na sua viagem;
3-     A ocupação da Ilha da Madeira pelos ingleses durante o período de guerra;
4-     A liberdade de comércio inglês com um porto a ser determinado no Brasil.
Como já era esperado em 27 de outubro de 1807, o representante da França Imperial e o espanhol assinaram o tratado de Fontainebleau, onde foi estipulado que o Reino Europeu ou Continental português seria dividido do seguinte modo:
1-     Ao Rei da Etrúria, que passaria a designar-se Rei da Lusitânia Setentrional, seu territorio ficava no noroeste de Portugal, entre os rios Douro e Minho, incluindo as cidades de Porto e Braga. Ludovico I di Borbone ou Luigi I di Borbone), também conhecido como Luís I da Etrúria, além de primo de Dona Maria I, era casado com María Luisa de España o María Luisa de Borbón, uma irmã de Dona Carlota Joaquina;
2-     Napoleão ficaria com Portugal (reduzido às províncias de Trás-os-Montes, Beira e Estremadura, incluindo a capital, a cidade de Lisboa) que ficaria sob ocupação direta dos exércitos francesas e cujo destino seria posteriormente decidido;
3-     A Manuel de Godoy (Dom Manuel de Godoy y Alvarez de Faria Rios Sanchez Zarzosa, Duque de la Alcudia y de Sueca y príncipe de la Paz), caberia o territorio correspondendo ao sul de Portugal, incluindo as regiões do Algarve e do Alentejo, recebendo o título de Príncipe dos Algarves;
4-     As colônias portuguesas ao redor do mundo seriam divididas entre a França e a Espanha.
O Tratado Secreto entre a Espanha e a França assinado em Fontainebleau a 27 de outubro de 1807 tem o seguinte texto:
Nós Napoleão , pela graça de Deus e da Constituição, Imperador dos Franceses, Rei da Itália e Protetor da Confederação do Reno, tendo visto e examinado o tratado, concluído, arranjado e assinado em Fontainebleau, a 27 de Outubro de 1807, pelo general-de-divisão Michel Duroc , Grão-Marechal do Nosso Palácio, grão-cavaleiro da Legião de Honra , etc., em virtude de plenos poderes conferidos por nós para este fim, com D. Eugenio Izquierdo de Ribera y Lezaum, Conselheiro Honorário de Estado e da Guerra de Sua Majestade o Rei de Espanha, o qual também estava munido com plenos poderes pelo seu soberano, o qual tratado é na forma seguinte:
Sua Majestade o Imperador dos Franceses, Rei da Itália e Protetor da Confederação do Reno, e Sua Majestade Católica o Rei da Espanha, desejando regular por comum com sentimento o interesse dos dois estados, e determinar a futura condição de Portugal, de maneira que seja consistente com a boa política de ambos os países; tem nomeado para seus ministros plenipotenciários, a saber: Sua Majestade o Imperador dos Franceses, Rei da Itália e Protetor da Confederação do Reno, ao general de divisão Michel Duroc, Grão-Marechal do Palácio, grão-cavaleiro da Legião de Honra; e Sua Majestade Católica o Rei da Espanha, a D. Eugénio Izquierdo de Ribera y Lezaun, seu Conselheiro Honorário de Estado e da Guerra, os quais ministros, havendo ambos mutuamente trocado os seus plenos poderes, concordaram no seguinte:
·         Artigo 1. — A província de Entre Douro e Minho, com a cidade do Porto, se trespassará em plena propriedade e soberania para Sua Majestade o Rei da Etrúria, com o título de Rei da Lusitânia Setentrional.
·         Artigo 2. — A província do Alentejo e o reino dos Algarves se trespassarão em plena propriedade e soberania para o Príncipe da Paz, para serem por ele gozados, debaixo do título de Príncipe dos Algarves.
·         Artigo 3. — As províncias da Beira, Trás-os-Montes e Estremadura portuguesa, ficarão por dispor até que haja uma paz, e então se disporá delas segundo as circunstâncias, e segundo o que se concordar entre as duas partes contratantes.
·         Artigo 4. — O Reino da Lusitânia Setentrional será tido pelos descendentes de Sua Majestade o Rei da Etrúria, hereditariamente e conforme as leis da sucessão, estabelecidas na família que ocupa o trono da Espanha.
·         Artigo 5. — O Principado dos Algarves será tido pelos descendentes do Príncipe da Paz hereditariamente e conforme as leis de sucessão estabelecidas na família que ocupa o trono da Espanha.
·         Artigo 6. — Se não houver descendentes ou herdeiros legítimos do Rei da Lusitânia Setentrional ou do Príncipe dos Algarves, se disporá por investidura do Rei de Espanha, de maneira que nunca se unirão debaixo de uma só cabeça, nem se anexarão à coroa de Espanha.
·         Artigo 7. — O Reino da Lusitânia Setentrional e o Principado dos Algarves reconhecerão como protetor Sua Majestade Católica o Rei de Espanha, e em nenhum caso os soberanos destes países farão paz ou guerra sem o seu consentimento.
·         Artigo 8. — No caso de que as províncias da Beira, Trás-os-Montes e Estremadura portuguesa, tidas em sequestro, se devolvam na paz geral à Casa de Bragança, em troca de Gilbratar , Trindade, e outras colónias, que os ingleses têm conquistado à Espanha e seus aliados, o novo soberano destas províncias terá, relativamente a Sua Majestade Católica o Rei de Espanha, as mesmas obrigações que tem o Rei da Lusitânia Setentrional e o Príncipe dos Algarves, e as terá debaixo das mesmas condições.
·         Artigo 9. — Sua Majestade o Rei da Etrúria, cede o Reino da Etrúria em plena propriedade e soberania a Sua Majestade o Imperador dos Franceses e Rei da Itália.
·         Artigo 10. — Assim que as províncias de Portugal forem definitivamente ocupadas, os diferentes príncipes que as devem possuir nomearão mutuamente comissários para verificar os seus limites naturais.
·         Artigo 11. — Sua Majestade o Imperador dos Franceses e Rei da Itália, garante a Sua Majestade Católica o Rei de Espanha, a posse dos seus domínios no continente da Europa, situados ao sul dos Pirenéus.
·         Artigo 12. — Sua Majestade o Imperador dos Franceses e Rei da Itália obriga-se a reconhecer a Sua Majestade Católica o Rei da Espanha como Imperador das Duas Américas, quando tudo estiver pronto para Sua Majestade assumir este título, que pode ser, ou ao tempo da paz geral, ou o mais tardar três anos depois daquela época.
·         Artigo 13. — As duas altas partes contratantes concordam mutuamente em uma igual divisão das ilhas, colónias e outras possessões ultramarinas de Portugal.
·         Artigo 14. — O presente tratado será tido em segredo. Será ratificado e trocado em Madrid dentro de vinte dias, o mais tardar, da data da sua assinatura.
 Dado em Fontainebleau, aos 27 de outubro de 1807. = Napoleão = O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Champagny = O Secretário de Estado, Maret.
Na sequência do Tratado de Fontainebleau foi assinada, na mesma data e local, uma Convenção Secreta entre a França e a Espanha tendo por fim a operacionalização da prometida ocupação e divisão de Portugal. É o seguinte o texto daquela Convenção Secreta:
·         Napoleão, pela graça de Deus e da Constituição, Imperador dos Franceses, Rei da Itália e Protetor da Confederação do Reno; tendo visto e examinado a convenção concluída, arranjada e assinada em Fontainebleau, aos 27 de Outubro de 1807, pelo general de divisão Michel Duroc, Grão-Marechal do Nosso Palácio, grão-cordão da Legião de Honra, etc., etc., em virtude dos plenos poderes que nós lhe conferimos, de uma parte; e da outra parte D. Eugenio Izquierdo de Ribera y Lezaun, Conselheiro Honorário de Estado e da Guerra de Sua Majestade o Rei de Espanha, igualmente munido com plenos poderes pelo seu soberano, o teor da qual convenção era o seguinte:
·         Sua Majestade o Imperador dos Franceses, Rei da Itália e Protetor da Confederação do Reno, e Sua Majestade o Rei de Espanha, desejando entrar em um acordo relativamente à ocupação e conquista de Portugal, conforme as estipulações do Tratado assinado na data de hoje, têm nomeado, a saber: Sua Majestade o Imperador dos Franceses, Rei da Itália e Protetor da Confederação do Reno, ao general de divisão Michel Duroc, Grão-Marechal do Seu Palácio, grão-cordão da Legião de Honra, e Sua Majestade Católica o Rei de Espanha, D. Eugénio Izquierdo de Ribera y Lezaun, seu Conselheiro de Estado Honorário e da Guerra, os quais, depois de haverem mutuamente trocado os seus plenos poderes, concordaram nos seguintes artigos:
·         Artigo 1 — Um corpo de tropas imperiais francesas de 25 000 homens de infantaria e 3 000 de cavalaria entrará em Espanha e marchará diretamente para Lisboa; unir-se-ão a estas um corpo de 8 000 homens de infantaria espanhola, e 3 000 de cavalaria, com 30 peças de artilharia.
·         Artigo 2 — Ao mesmo tempo uma divisão de tropas espanholas, consistindo em 10 000 homens, tomará posse da província de Entre Douro e Minho e da cidade do Porto; e outra divisão de 6 000 homens, também de tropas espanholas, tomará posse do Alentejo e do reino dos Algarves.
·         Artigo 3 — As tropas francesas serão sustentadas e mantidas por Espanha, e o seu pagamento providenciado por França, durante o tempo empregado na sua marcha por Espanha.
·         Artigo 4 — Ao momento em que as tropas combinadas entrarem em Portugal, o governo e administração das províncias da Beira, Trás-os-Montes e Estremadura portuguesa (que devem ficar em estado de sequestro), serão investidos no general comandante das tropas francesas, e as contribuições impostas nas mesmas províncias serão em benefício da França. As províncias, que devem formar o Reino da Lusitânia Setentrional e o Principado dos Algarves, serão administradas e governadas pelos generais comandantes das divisões espanholas que entrarem nas mesmas, e as contribuições impostas nelas serão a benefício da Espanha.
·         Artigo 5 — O corpo central estará debaixo das ordens do comandante das tropas francesas, a quem também obedecerão às tropas espanholas unidas a este exército. Contudo se o rei da Espanha, ou o Príncipe da Paz, julgar conveniente ir ao exército, as tropas francesas com o general que as comandar, ficarão sujeitas as suas ordens.
·         Artigo 6 — Outro corpo de 40 000 homens de tropas francesas se ajuntará em Baiona, cerca dos 20 de novembro próximo futuro ao mais tardar, estando pronto para entrar na Espanha, para o fim de marchar para Portugal, no caso em que os ingleses lá mandassem reforços, ou ameaçassem com um ataque. Este corpo adicional, porém, não entrará em Espanha até que as duas altas partes contratantes tenham concordado sobre este ponto.
·         Artigo 7 — A presente convenção será ratificada, e as ratificações trocadas ao mesmo tempo que o tratado desta data.
— Dado em Fontainebleau, aos 27 de outubro de 1807. = (Assinaturas) Duroc — E. lzquierdo.

Géraud de Michel du Roc de Brion dit Michel Duroc, Duc de Frioul, Grand maréchal du palais de Napoléon Ier. Il est parfois surnommé l'« ombre de Napoléon ».T.L.: Duque de Frioul, Grande Marechal do Palacio de Napoleão I. Às vezes é chamado de "sombra de Napoleão". Nome gravado na decima quinta coluna do Arco do Triunfo.
Curiosidade: No arquipélago de Frioul - Archipel du Frioul - localizado a cerca de 7 km da costa de Marselha consiste em quatro ilhas que são Pomègues, Ratonneau, If, l'îlot Tiboulen du Frioul. Na ilha de If é que está construída a antiga prisão de Chateau d'If; esta fortaleza teria abrigado Edmond Dantes, o herói imaginário do romance O Conde de Monte Cristo por Alexandre Dumas.
Le Grand maréchal du palais est le titre utilisé pour désigner le chef de la maison militaire de l'empereur sous le Premier Empire. Il est l'un des plus importants grands officiers de l'Empire.
T.L.: O Grande marechal do palácio é o título usado para designar o chefe da casa militar do Imperador sob o Primeiro Império. É um dos mais importantes Grandes Oficias do Império[ Napoleônico].

Em 27 de novembro de 1807 diante desses Tratados, e do bloqueio da foz do Rio Tejo pela frota do Almirante Sir Sidney Smith, com ordens de bombardear Lisboa, como a Grã-Bretanha havia feito na manhã de 1 de setembro de 1807, em Copenhague, a capital dinamarquesa, durante 4 dias e 4 noites, deixando um rastro de 2 000 pessoas mortas, e de sequestrar a frota naval portuguesa, nada mais restava ao Principe Regente embarcar para o Estado do Brasil.
Em 29 de novembro de 1807, a Família Real Portuguesa inicia a viagem para o Brasil na Nau Capitania “Príncipe Real”, do Vice-Almirante Manuel d’Acunha Sottomayor. A frota portuguesa foi escoltada por navios da Armada Britânica.
A Frota era composta por:
Naus
Príncipe Real – Comandante: Capitão de Mar e Guerra Francisco José do Canto e Castro Mascarenhas.
Dom João de Castro – Comandante : Capitão de Mar e Guerra  Dom Manuel João Loccio.
Afonso de Albuquerque - Comandante: Capitão de Mar e Guerra  Inácio da Costa Quintela
Rainha de Portugal - Comandante : Capitão de Mar e Guerra  Francisco Manuel Souto-Maior.
Medusa - Comandante: Capitão de Mar e Guerra  Henrique da Fonseca de Sousa Prego.
Príncipe do Brasil - Comandante : Capitão de Mar e Guerra  Francisco de Borja Salema Garção.
Conde D. Henrique - Comandante: Capitão de Mar e Guerra  José Maria de Almeida.
Martins de Freitas - Comandante: Capitão de Mar e Guerra Dom Manuel de Menezes.
Fragatas
Minerva - Comandante : Capitão de Mar e Guerra  Rodrigo José Ferreira Lobo.
Golfinho – Comandante: Capitão de Fragata Luís da Cunha Moreira,
Urânia - Comandante: Capitão de Fragata Dom João Manuel.
Brigues
Lebre - Comandante: Capitão de Mar e Guerra  Daniel Tompsom.
Voador - Comandante: Capitão de Fragata  Maximiliano de Sousa.
Vingança - Comandante: Capitão de Fragata  Diogo Nicolau Keating.
Escunas
Furão – Comandante: Capitão Tenente Joaquim Martins.
Curiosa – Comandante:  Primeiro Tenente Isidoro Francisco Guimarães.
 Às 9 horas da manhã de 30 de novembro, Junot entrou em Lisboa “liderando um exército de cerca 26 mil homens e tendo à sua frente um destacamento da cavalaria portuguesa, que se rendera e se pusera às suas ordens”.
Em 6 de dezembro, tendo destacado parte da sua frota para escoltar a família real até ao Brasil, Sir Sidney Smith voltou para o Tejo. Quatro naus da Marinha Real Britânica, sob o comando do capitão Graham Moore, reforçaram a esquadra portuguesa até o Brasil.
As embarcações chegaram à costa da Bahia a 18 de janeiro de 1808 e, no dia 22, os habitantes de Salvador já puderam avistar os navios da esquadra. Às quatro horas da tarde do dia 22, após os navios estarem fundeados, o conde da Ponte (governador da capitania da Bahia à época) foi a bordo do navio Príncipe Real. No dia seguinte, fizeram o mesmo os membros da Câmara.
A comitiva real só desembarcou às cinco horas da tarde do dia 24, em uma grande solenidade.
Em Salvador foi assinado o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas”.
Partiram de Salvador e chegaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, uma cidade infecta, 8 de março de 1808, desembarcando no antigo cais do Largo do Paço, atual Praça XV de Novembro .
Ato continuou, Dom João “ declarou-se guerra à França, e foi ocupada a Guiana Francesa em 1809. Em abril de 1808, o Príncipe Regente decretou a suspensão do alvará de 1785, que proibia a criação de indústrias no Brasil. Ficavam, assim, autorizadas as atividades em território colonial. Mas o sopro de desenvolvimento parou por aí, pois a presença de artigos ingleses bem elaborados e a preços relativamente acessíveis bloqueava a produção de similares em território brasileiro. A eficácia da medida seria anulada pela assinatura dos Tratados de 1810: o Tratado de Aliança e Amizade e o Tratado de Comércio e Navegação. Por este último, o governo português concedia aos produtos ingleses uma tarifa preferencial de 15%, ao passo que a que incidia sobre os artigos provenientes de Portugal era de 16% e a dos demais países amigos, 24%. Na prática, findava o Pacto Colonial.
Dom João VI no Brasil que amou, aqui fundou ou determinou entre outras providencias:
A Imprensa Régia e a autorização para o funcionamento de tipografias e a publicação de jornais em 1808;
·         O primeiro Banco do Brasil, em 1808;
·         A Academia Real Militar em 1810;
·         A abertura de escolas, entre as quais duas de Medicina – uma na Bahia e outra no Rio de Janeiro;
·         A instalação de uma fábrica de pólvora e de indústrias de ferro em Minas Gerais e em São Paulo;
·         A vinda da Missão Artística Francesa em 1816, e a fundação da Academia de Belas Artes;
·         A mudança de denominação das unidades territoriais, que deixaram de se chamar "capitanias" e passaram a denominar-se de "províncias" em 1821;
·         A criação da Biblioteca Real (1810);
·          Do Jardim Botânico (1811);
·         Do Museu Real (1818), mais tarde Museu Nacional.
Criando assim a base de uma Nação.
E a vida continuou...
Napoleão ainda estava na Ilha de Elba, uma ilha a 20 quilômetros da costa da Toscana, Itália, “um principado separado, que deve ser possuída por ele com toda a soberania e propriedade, com uma pensão de 2 milhões de francos paga pelo governo francês”, com uma guarda pessoal composta de 400 homens voluntários, oficiais, suboficiais e soldados, preservando “seus títulos e qualidades para apreciá-los durante sua vida”.
E as potencias europeias exultantes com o fato se reuniram no Congresso de Viena - “ conferência entre embaixadores das grandes potências europeias que aconteceu na capital austríaca, entre 2 de maio de 1814 e 9 de junho de 1815, cuja intenção era a de redesenhar o mapa político do continente europeu após a derrota da França napoleônica na primavera anterior”- sendo Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, mais conhecido por Talleyrand, ou Príncipe de Talleyrand,  o representante do recém entronizado Luis XVIII, Rei de França e de Navarra pois os Bourbons foram Restaurados no Trono de França.
Os nossos representantes eram:
a-       Dom Pedro de Sousa Holstein, Conde de Palmela, do Conselho, Capitão da Capitão da Guarda Real Alemã, Comendador da Ordem de Cristo;
b-      António de Saldanha da Gama, do Conselho e da real fazenda, Comendador da Ordem Militar de São Bento de Aviz¸ diplomata acreditado na Rússia;
c-     Dom Joaquim Lobo da Silveira, do Conselho, Comendador da Ordem de Cristo, diplomata acreditado em Estocolmo.
Em conversa o Príncipe de Talleyrand aconselhou ao Conde de Palmela, um grande homem público, que para melhor defender os interesses da Dinastia de Bragança, Dom João deveria elevar o então Estado do Brasil a reino unido com o Reino de Portugal e Algarve, tendo com pretexto à transferência da Monarquia Portuguesa para o Brasil, e assim constituir o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, à exemplo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, criado em 1 de janeiro de 1801. 
Segundo alguns o Príncipe de Talleyrand foi muito bem gratificado com diamantes do Brasil, pois a voz de Portugal não estava sendo ouvida no Congresso de Viena como deveria, e a Velha Raposa de Talleyrand fez com que a ouvissem.  
Só em 16 de dezembro de 1815, com a elevação do então Estado do Brasil (1621-1815), a Reino Unido com Portugal e Algarve, é que Dom João Maria passa da condição de Principe Regente de Portugal e Algarves para Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, uma titularidade “ que se destinou aos Príncipes Herdeiros da Coroa, substituindo o título de Príncipe do Brasil”.
A notícia só é publicada em Lisboa em 1816, no nº 299 da Gazeta de Lisboa, 17 de dezembro de 1816, edição de 3ª feira:
S. M. ElRei, meu Amo, fica sciente da resoluçãoa de S. A. R. o Principe Regente de Portugal, que V. Ex. me comunica em sua nota de 13 do corrente, pela qual S. A. R. Houve por bem elevar o Estado do Brasil á dignidade de Reino, e uni-lo aos de Portugal e Algarves, de forma que componhão hum só e hum mesmo Corpo político, tudo em conformidade da Carta Régia de 16 de Dezembro próximo passado, de que me remete V. Ex. hum exemplar.
« Renovo a V. Ex. com este motivo meus anteriores oferecimentos.
«Deos guarde a V. Ex. muitos anos. Palacio 19 de Março de 1816. B.
A.    M. – Pedro Cevallos. – Sr. Ministro de Portugal.»

Em 20 de março de 1816 morre no Convento do Carmo a Rainha Dona Maria I, avó de D. Pedro de Alcântara, aos 81 anos no Rio de Janeiro, sendo sepultada no Convento da Ajuda da mesma cidade. Somente em 1821, com o retorno da Família Real para Portugal, seus restos mortais foram transladados para Lisboa e sepultado em um mausoléu na Basílica da Estrela, igreja que ela mesma mandou erguer.
A notícia da morte da Rainha D. Maria I e das honras fúnebres que lhe são prestadas, é publicada no nº 166 da Gazeta de Lisboa, 15 de julho, edição de 2ª feira:
REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES.
Rio de Janeiro 23 de Março.
A Rainha Fidelissima, a Senhora D. Maria I., falleceo das consequencias de huma extrema debilidade, em o dia 20 do corrente pelas 11 horas e hum quarto da manhã, com 81 annos, 3 mezes e 3 dias de idade.(…)
Apenas se divulgou a infausta noticia, fecharão-se as Secretarias, e Tribunaes, e começarão as demonstrações de luto, atirando as fortalezas e navios do porto de dez em dez minutos, e estando efectivamente a meio páo as bandeiras das ditas.


Em 9 de janeiro de 1817, Dom Pedro recebe o título de Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
A notícia é publicada em Lisboa no nº 145 da Gazeta de Lisboa,21 de junho de 1817, edição de Sábado:
REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES
Rio de Janeiro 1º de Março.
Por Ordem Superior.
Eu ElRei. Faço saber aos que este Alvará com força de Lei virem: tendo o Senhor Rei D. João IV, de gloriosa Memoria, determinado pela sua Carta de Doação de vinte sete de Outubro de mil seiscentos e quarenta e cinco, que os Principes Primogenitos da Coroa de Portugal tivessem o Titulo de Principes do Brasil, para o possuírem em Titulo somente , e se chamarem dalli em diante Principes do Brasil e Duques de Bragança: E Reconhecendo Eu, que este Titulo de Principe do Brasil tornou-se incompativel depois da Carta de Lei de dezasseis de Dezembro de mil oitocentos e quinze, pela qual Fui Servido elevar o Estado do Brasil à dignidade de Reino, Unindo-se aos de Portugal e dos Algarves: E Querendo que o Principe D. Pedro, Meu muito amado e presado Filho Primogenito, e todos os demais Principes, que foram Primogenitos desta Coroa, gozem de hum Titulo ainda mais preeminente, e que seja adequado á sobredita União: Hei por bem, que o dito Principe Meu Filho, tenha d’ora em diante o Titulo de – Principe Real do Reino Unido de Portugal, e do Brasil, e Algarves – conservando sempre o de Duques de Bragança, e que destes mesmos Titulos hajão de gozar os Principes Primogenitos desta Coroa (…) assim como a Carta Regia  de dezassete de Dezembro de mil setecentos e trinta e quatro, pela qual o Senhor Rei D. João V., de saudosa Memoria, Houve por bem, que os Filhos Primogenitos dos Principes do Brasil se intitulassem – Principes da Beira – E este se cumprirá como nelle se contém (…) Dado no Palacio do Rio de Janeiro aos nove de Janeiro de mil oitocentos e dezassete. – REI. – Conde Barca. – Alvará etc.
Gravura de S.A.R. O Sereníssimo Príncipe D. Pedro.
 Charles Simon Pradier, a partir da pintura de Jean Baptiste Debret.
1817-1819.

Sua Alteza Real, o Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, um título lindo, pomposo, poderosíssimo no contexto transcontinental, mas o portador continua o xucro de sempre, agindo e se comportando como um bruto sem gentileza, chegando muitas vezes a ser grosseiro.

" O Condestável do Brasil” durante a Transmigração da Família Real, com apenas nove anos de idade, já amante das atividades ao ar livre, dado aos exercícios físicos, se mostrou altamente interessado pelas “ manobras de bordo”, buscando sempre estar em companhia dos marinheiros estando eles ensinando seu mister, ou não.
E mais, participava com desenvoltura das conversas e gracejados dos Homens do Mar, que como todos sabemos não são pessoas de fino trato.
Estabelecido em Terra continuou vivendo entre os trabalhadores braçais, lacaios, e escravos, participando de suas conversas recheadas de palavrões e gestos obscenos.
E assim, como nunca foi dado aos estudos, a “ educação deficiente continuou no Paço de São Cristóvão, e ele não recebeu a instrução esperada para um futuro Soberano”.
Entretanto, vou repetir o que já afirmei a bem da verdade:
Dom Pedro de Alcântara foi um Homem de seu Tempo.
Amante da Nobre Arte da Cavallaria trabalhava para amansar cavalos desde menino.
Os cavalos amansados eram por ele montados e como um louco saia a grande velocidade.
Caiu 36 vezes dos cavalos ainda adolescente, chegando a ficar de cama com as costelas fraturadas.
Malucão, dirigia carruagens de quatro cavalos pelas apertadas ruas e ruelas da cidade e dos arrabaldes do Rio de Janeiro, e de uma feita capotou com uma, causando uma grande de uma confusão. 
Amava a caça, como bom Borbón que era, e compartilhou este prazer com Dona Leopoldina, uma eximia caçadora;
Como tocava instrumento, o senhor Dom Pedro, de violão em punho, era dado aos saraus musicais, as festas, até as promovidas clandestinamente pelos escravos, onde ao som “ dos batuques dos escravos bantos trazidos de Angola” se dançava o Lundu, ou seja, Dom Pedro era um festeiro. 
Como já afirmei, gostava de viver com pessoas incultas, “convivendo diariamente com cavalariços, com criados de níveis inferiores, bem como com escravos, e com eles frequentava as tavernas, prostíbulos, lugares de má fama, na cidade do Rio de Janeiro”. 

Um amigo ou um sanguessuga de marca maior?

Os Lobatos:
O português Francisco José Rufino de Sousa Lobato, daqui por diante FJRSL, Guarda-Roupa de Sua Majestade,  nasceu em Vila Nova da Rainha hoje no concelho da Azambuja, em 30 de julho de 1773, e faleceu na mesma localidade em 6 de maio de 1830, filho de José Joaquim de Sousa Lobato, Fidalgo da Casa Real, Guarda-roupa da Rainha Dona Maria I e do Príncipe Regente Dom João Maria, Comendador da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem da Torre e Espada, Escrivão da mesa grande da Alfândega de Lisboa, Proprietário das marcas da Alfândega Grande de Lisboa e de Maria Joana von Henring.
E foi o primeiro Barão de Vila Nova da Rainha por Real Decreto de 5 de junho de 1809.
E foi o primeiro Visconde de Vila Nova da Rainha por Real Decreto de 21 de maio de 1810.
Como podemos ver as titularidades foram conferidas a FJRSL quando ele já se encontrava no Brasil servindo junto ao Príncipe Regente, e de agora em diante foi citar somente suas iniciais VVNR.
VVNR  foi Tenente-general, Governador da fortaleza de Santa Cruz, do Rio de Janeiro, do Conselho do Rei, Senhor de Vila Nova da Rainha e do Moxão de Esfola Vacas, Alcaide-mor de Castro Marim, Porteiro da Real Câmara, Manteiro, Tesoureiro do bolsinho, Guarda joias e tapeçarias, Apontador dos foros dos reposteiros, Secretário de Estado dos Negócios da Casa e Estado do Infantado, Deputado da Mesa da Consciência e Ordens no Brasil, Escrivão da câmara de mesmo tribunal, Provedor da Alfândega do Tabaco, Oficial-mor da Casa Real e superintendente do Convento de Mafra
VVNR tinha dois irmãos:
1-      Matias António de Sousa Lobato, 1º Visconde de Magé, Senhor de São João de Rei, Guarda roupa de D. João VI, Comendador da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem da Torre e Espada Escrivão da Câmara Real no registo geral das Mercês, no Rio de Janeiro;
2-      Joaquim José de Sousa Lobato, 2º Visconde de Magé, Alcaide-mor de Castelo de Vide, 2º senhor de São João de Rei, do conselho de D. João VI e seu Guarda-Roupa, Comendador da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem da Torre e Espada, Porteiro da câmara da Infanta Regente Dona Isabel Maria.
O Trio entrou para a História como os Irmãos Lobatos, irmandade esta que deu o que falar nos tempos do senhor Dom João VI.
Segundo afirma o professor doutor Luiz Mott, Professor Titular de Antropologia da UFBa -  baseado nas palavras do historiador Tobias Monteiro, senador e Secretário do Presidente Campos Sales, em sua a “História do Império” (1939) -  o senhor Dom João VI era masturbado pelo seu favorito Lobato, e qual deles?
O Visconde de Vila Nova da Rainha.
E é daí que veem a força dos Irmãos Lobato.
Eu não acredito nisso.
Para mim, os Lobatos eram instrumentos que Dom João VI usava para executar sua política de governo, e ponto final, por isso, e só por isso, tinham certo poder político. 
Casamento do novo Visconde de Vila Nova da Rainha.
Apesar desta história do historiador Tobias Monteiro, aceita pelo professor Mott, VVNR casou a 5 de fevereiro de 1800 com D. Mariana Locádia Bárbara Leitão de Sousa Carvalhosa, açafata de Dona Maria I e da Ordem de Santa Isabel.
D. Mariana Locádia era filha de Manuel Francisco de Barros Mesquita, e de sua mulher D. Maria Bárbara Teresa de Sousa Carvalhosa.
D. Mariana Locádia era irmã de João Diogo de Barros Leitão de Carvalhosa,  1.º Visconde de Santarém, Fidalgo da Casa Real, com o foro de Guarda-Roupa e Joias, como aparece no decreto de mercê da Comenda do Frono da Rua da Praça da Vila de Setúbal,  1.º Senhor de Pontével, Ereira e Lapa, Alcaide-mór de Santarém, Alcaide-mór da Golegã e Almeirim.
Com a morte do filho do casal, Evaristo José de Sousa Lobato, não tendo sido gerado outro o título de Visconde de Vila Nova da Rainha renovou-se num sobrinho-neto de D. Mariana Locádia.
Com isso, António de Barros Saldanha da Gama de Sousa Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa, o filho dos 2ºs Viscondes de Santarém, ou seja, Manuel de Barros Leitão e Carvalhosa, e de Maria Amália de Saldanha da Gama Melo e Torres, passou a ser o 2.º Visconde de Vila Nova da Rainha
Maria Amália de Saldanha da Gama Melo e Torres, acima citada, era filha de João de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes Brito, 6º conde da Ponte, Senhor de Assequins, Senhor do Engenho e Accupe na Baía, Comendador da Ordem de Cristo, Major de cavalaria, de Maria Constança de Saldanha Oliveira e Daun, filha do 1º Conde de Rio Maior e de Maria Amália de Carvalho e Daun.
E Dona Maria Amália de Carvalho e Daun, nascida em 15.08.1756, era simplesmente a filha de Sebastião José de Carvalho e Melo, 1º Marquês de Pombal, Conde de Oeiras, o celebre Primeiro-ministro de Dom José I, e de Dona Eleanore Ernestine, condessa de Daun ( Eleanore Ernestine, Gräfin von Daun) nascida em Viena, Austria,  em 02.11.1721, e falecida em Lisboa, Mercês, em 03.01.1789.
Como podemos ver é uma excelente nobreza do reino.
Mais, voltemos:
Para El Rey muito gordo deveria ser difícil praticar o ato sexual pleno, bem como se masturbar, por isso, segundo relato de alguns historiadores, havia uma escrava mulata e gorda que saciava os apetites sexuais do Soberano Transcontinental, e é com esta versão que eu fico.
Entretanto, Francisco José Rufino de Sousa Lobato, Guarda-Roupa de Sua Majestade dentre outras sinecuras, “gostava disso à beça tanto que quase morreu lá pra os lados do Encantado” nos braços de sua criada de quarto de nome Maria da Conceição Alves, uma aldeã pobre, mas uma robusta e formosa cachopa, de 19 anos, que lhe deu no dia 22 de setembro de 1791, em Lisboa, um filho que recebeu o nome de Francisco, sendo registrado como "filho de pais incógnitos".
Viviam todos muitos felizes na casa do Guarda-Roupa de Sua Majestade dentre outras sinecuras, quando esse resolveu casar, ou resolveram por ele.
O que fazer então com a Maria da Conceição Alves?
Foi despachada para Angola.
E com o “bastardinho”?
Muito simples, ele foi entregue a Antonio Gomes da Silva, que pela quantia de oito mil cruzados (soma considerável na época), e o emprego de Ourives da Casa Real, e este assumiu a paternidade do futuro Chalaça.
Assim nasceu Francisco Gomes da Silva.
“ Mandado para o Seminário de Santarém onde aprendeu filosofia e latim, francês, inglês, italiano e espanhol”.
Brigou com o Reitor do Seminário e fugiu em direção a Lisboa.
Os franceses já estavam em solo português, e o Chalaça foi preso e condenado o como espião ao fuzilamento, mas escapou rocambolescamente dos seus carcereiros, chegando a Lisboa no dia do embarque da Família Real.  
Em companhia de Antonio Gomes da Silva, Ourives da Casa Real, seu pai no papel, embarcou com destino ao Rio de Janeiro, onde se estabeleceram na rua Direita (atual rua Primeiro de Março).
Mas, o Chalaça era rebelde e brigou com o pai no papel, “ saindo de casa e abrindo uma tenda de barbeiro na rua do Piolho (atual rua da Carioca), onde trabalhava como cirurgião, dentista e sangrador, aplicando bichas (sanguessugas) e ventosas, segundo os princípios de medicina da época”.
Trecho de Memórias do Conselheiro Francisco Gomes da Silva (O Chalaça) /Prefácio - https://frags.wiki/index.php?title=Mem%C3%B3rias_do_Conselheiro_Francisco_Gomes_da_Silva_(O_Chala%C3%A7a)/Pref%C3%A1cio
baseado nas Fontes:
 Maricota Corneta – porque a hospedaria dava o sinal da hora das refeições por meio de uma corneta, que pertencera ao falecido marido de Maricota, corneteiro do antigo Corpo de Infantaria da Corte, segundo Assis Cintra.
Hospedaria da Corneta – escrevem o autor do “O Chalaça” e Araújo Guimarães – “A Corte no Brasil – Figuras e aspectos”.
Assis Cintra – “O Chalaça – favorito do Império” – páginas 26 e 27.
Luís Norton – “A Corte de Portugal no Brasil” – página 131.
Rio de Janeiro de antanho” – Afonso Taunay – “Revista do Instituto Histórico Brasileiro” – tomo 90 – volume 144 – página 526.

“Amancebando-se com a famosa Maria Pulquéria, vulgo Maricota Corneta, dona de uma hospedaria da Rua das Violas (hoje Teófilo Otoni), dali saiu em 1809 para se associar com Sebastião Cauler, num botequim do Largo do Paço, junto ao Arco do Teles. ”
“ Depois da ave-maria se reuniam naquela hospedaria boêmios e jogadores, cantadores e valentes e entre os seus frequentadores contava-se, ainda ao tempo do rei velho, Sua Alteza Real o Príncipe Dom Pedro, que ali peneirava, pela primeira vez, disfarçado, com grande capa usada pelos paulistas”.
“Aboletado numa das mesas de pau tosco, Dom Pedro assistiu à disputa de dois turunas. De repente, José Januário, encarando o pseudo- paulista, abriu a boca num sorriso alvar e cantou:
Paulista é pássaro bisnau,
sem fé, nem coração:
é gente que se leva a pau,
a sopapo ou pescoção.
Toda a assistência olhou para o homem do capote paulista e riu numa estrondosa gargalhada.
Dom Pedro, rubro e nervoso, levantou-se. Afastando, colérico, a ponta do seu grande capote, com que ocultara a face ao entrar na espelunca, gritou ao companheiro, dando-se a conhecer:
– Meta o pau nessa canalha… O negralhão branqueou ao reconhecer o príncipe e… azulou na mais desabalada das corridas, emprestando a melhor canela do veado da fábula.
Os valentes sumiram-se, com exceção de um: o Chalaça.
Para ele investiu o companheiro do príncipe, de cacete erguido. Esperto como um raposão, Chiquinho Chalaça evitou o golpe e com uma rasteira de arraia, pôs o agressor no chão, de pernas ao ar. Tomou-lhe o pau e, segurando-o pelo casaco, atirou-o por uma porta, para o quintal da hospedaria.
Maricota Corneta escondeu-se debaixo da mesa. Defrontaram-se apenas dois homens: o Chalaça e o Príncipe. Este último tremia de furor. Então, calmo e sereno, o barbeiro tirou o largo chapéu catalão que usava e, numa curvatura de gentil-homem, fazendo com o sombreiro um semicírculo no ar, quase tocando o assoalho, um sorriso nos cantos dos lábios, murmurou: – Francisco Gomes da Silva apresenta a Vossa Alteza os seus respeitos e os seus serviços.
Dom Pedro não se conteve. Estrondou uma formidável gargalhada, dessas que só os portugueses sabem dar depois de um bom vinho de Trás-os-Montes e de uma bacalhoada à minhota. Em seguida, alegre aceitoso:
– Chalaça, tu és um homem…”
Naquela sociedade da corte lusitana, onde Dom Pedro e Dom Miguel viviam à vontade, à rédea solta, uma vida desenfreada, de rudes ocupações campestres e de bravia incultura, o Chalaça era de fato um homem, um grande-homem…
Se deu bem.
Adentrou ao Palácio Real da Quinta da Boa Vista, “obtendo a inclusão na lista de criados honorários do Paço, depois foi nomeado Moço de Reposteiro por D. João, por sua atuação em "serviços reservados" prestados ao Príncipe Regente”.
Que serviços teriam sido esses?
“ Chi lo sa “...
“ Em 1816 já era Juiz da Balança da Casa da Moeda e logo tornava-se o amigo favorito do Príncipe D. Pedro, que encontrou no Chalaça o companheiro ideal para farras e escapadas noturnas”.
Começou a amizade e a safadeza.
Sabe-se que os arredores da Quinta da Boa Vista era um “campo de luxuria’, inclusive para os padres que lá iam se saciar com as escravas e escravos que se dedicavam a mais antiga das profissões do mundo, ou seja, a prostituição.  
Dom João mandou o Chalaça espionar Dona Carlota, e a Rainha descobriu.
Ficou a ‘española’ enfurecida e pediu ao marido para afasta-lo da Corte, o que o Rei não fez.
Mais a Megera de Botafogo teve sua hora de alegria ao vê-lo expulso da Corte do Rei de Portugal, Brasil, e Algarve, etc e tal., sendo obrigado a “ manter-se a uma distância mínima de dez léguas da Real Pessoa e governo, ou seja, da Cidade do Rio e Janeiro”.
Como já disse os arredores da Real Quinta era o “campo de luxuria’, mas o Chalaça muito afoito não esperou para lá ir resolvendo praticar as ‘alegrias sexuais’ com Dona Eugenia de Castro em uma das salas do Palacio Real.
Como “o Diabo Joga Sujo”, o senhor Dom João passou pelo corredor e ouvi os ‘ais, uis, assim...agora...ai meu deus...’ e abrindo a porta deu de cara com os dois pombinhos que arrulhavam de prazer totalmente pelados, nuns como Eva e Adão no Paraiso. 
Enfureceu-se o monarca luso-afro-brasileiro e os expulsou de sua Real Presença.
“ De ordem del Rei, o ministro Tomás Antônio de Vila Nova Portugal fez baixar o aviso, que foi publicado na Gazeta do Rio de Janeiro:
“Senhor Corregedor – Não devendo ficar impune o desatino em que caiu o reposteiro da Câmara Francisco Gomes da Silva de, aleivosamente, aliciar e raptar uma dama do Paço, é EI Rei Nosso Senhor servido que vossa mercê faça intimar o sobredito reposteiro que não entre mais no Paço, e que deve sair para fora da Corte numa distância de dez léguas, até segunda ordem. O que participo a vossa mercê para que assim o execute. – Deus guarde a vossa mercê. ”

Exilado em Itaguaí, hoje na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, localizado a 69 quilômetros da Corte do Rio de Janeiro, ficou por lá um tempo, mas o ‘papa visconde’ acabou conseguindo para ele o perdão do Soberano.
Mais era um “aventureiro sem escrúpulos e intelectualmente bem-dotado, frequentador da região do Velho Cais do Terreiro do Polé, por causa do pelourinho ali instalado, agora batizado como o Terreiro do Paço, o centro do Poder do Império transcontinental português, mas, onde soldados, escravos, comerciantes tentavam a sorte, bem como os fidalgos de uma nobreza iletrada, mas pretensiosa – nobreza fadista e arruaceira, muito dada às festas de igrejas e do Curro - uma tourada sangrenta -  davam vazão aos seus sentimentos inescrupulosos”.
Essa região que tinha como centro a atual pela Praça Quinze, o Terreiro do Paço, o Terreiro do Polé, compreendia “ a hoje Travessa do Comércio que se chamava Beco do Telles e a rua Primeiro de Março, ali do lado, era a Rua Direita. As ruas tinham nomes engraçados, como rua da Cadeia (hoje Assembleia), do Cano (Sete de Setembro), do Fogo (Andradas), do Hospício (Buenos Aires), do Piolho (Carioca).
“E lá ia Sua Alteza Real Dom Pedro de Alcântara, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, para praticar suas traquinagens em companhia do Chalaça”.
Quando do Revolução do Porto, das Cortes de Lisboa, do retorno de El Rey e da Corte para Portugal, o Chalaça queria voltar com eles, o que desgostou ao senhor Dom Pedro.
Ficaram estremecidos.
Contudo amigos de pandegas acabaram se reconciliado.
 “ Cipriano Barata - Cipriano José Barata de Almeida (Salvador, 26 de setembro de 1762 — Natal, 7 de junho de 1838) médico e político liberal brasileiro, um dos mais ativos combatentes em favor da Independência do Brasil, e nenhum outro autor, afirma que a Marquesa de Santos e o Chalaça eram amantes mancomunados para extrair do Príncipe o maior lucro possível, mas que acabaram formado um típico caso de ménage à trois”.
“Pelo sim ou pelo não, a partir da Independência, a influência do Chalaça junto ao Imperador aumentou, o que se traduz em diversos títulos honoríficos e fortuna crescente”.
“Chalaça era alcoviteiro, oportunista, intermediário de negócios escusos, agiota, Conselheiro íntimo do Imperador – “ organizou um "ministério paralelo" que influenciava importantes decisões do Império, chamado pelos contemporâneos de Conselho Secreto, Camarilha Palaciana e Gavetário do Chupa-Chupa – uma
Alma danada que contribuiu para a preservação no poder do Partido Português e para a neutralização de homens públicos como José Bonifácio”.
E assim o Chalaça foi:
Reposteiro da Casa Real em 1810;
Agraciado com o Hábito de Cristo, em 1812;
Conselheiro;
Coronel Comandante do 2º esquadrão da Imperial Guarda de Honra;
 Intendente das Imperiais Cavalariças;
Oficial maior da Secretaria de Estado dos Negócios do Império;
Oficial de gabinete da secretaria do Paço Imperial, o célebre gabinete secreto, para o qual fora nomeado a 1º de dezembro de 1823;
Cavalheiro da Ordem do Cruzeiro;
Comendador da Torre e Espada de Portugal;
Comendador da Ordem de Leopoldo, da Áustria.
Para culminar trasladou Francisco Gomes da Silva, em 1825, como Oficial maior da Secretaria do Império, a Carta Constitucional de 1824, com a sua atraente caligrafia, datando o respectivo traslado de 4 de abril daquele primeiro ano.
Serviçal, o mais graduado e prestadio no gabinete privado e nas confidências palacianas, conhecia segredos do Imperador e das suas amantes, que, no dizer de Melo Morais – foram de “diferentes classes, cores e condições” – permitindo-lhe partir “o amor em bocadinhos” – sublinha Escragnolle Doria.
Nota: Tenente General Francisco José Rufino de Sousa Lobato, o Visconde de Vila Nova da Rainha, regressou à metrópole na comitiva de Dom João VI, deixando o Rio de Janeiro a 26 de abril de 1821 num dos navios da esquadra real. Chegou a Lisboa a 3 de julho e na mesma data resolveram as Côrtes Portuguesas permitir o seu desembarque e de outros passageiros, considerados suspeitos, contanto que fossem residir longe da Capital do Reino. Nesse sentido foi notificado Vila Nova da Rainha a 11 de julho de 1821.Faleceu em Portugal a 6 de maio de 1830, em idade avançada.
Voltemos ao bastardo do falecido que não podia herdar Título de Visconde de Vila Nova da Rainha, o Chalaça.
Por causa do casamento com Dona Amélia de Leuchtenberg, o Chalaça foi nomeado em 25 de abril de 1830 embaixador plenipotenciário do Império junto ao Rei das Duas Sicílias, e lá ficou quando da abdicação de Dom Pedro I nunca mais retornado ao Brasil.
De retorno ao convívio de Dom Pedro, agora Duque de Bragança, acabou sendo secretário de estado da Casa de Bragança em 1833, “ com a alta dignidade de Conde de Ourém”, mas quanto a isso há controvérsias, pois, o Titulo pertence aso Reis de Portugal, a Sereníssima Casa de Bragança. É o atual representante do título Sua Alteza Real D. Duarte Pio, 24.º Duque de Bragança, 28.º Conde de Ourém e pretendente ao trono português.
Interregno
Como tempo passa, o tempo voa, estava eu sentado na varanda de uma bela casa da Rua Avaré, ao lado do Estádio Municipal do Pacaembu, na Cidade de São Paulo, quando presenciei uma conversa sobre Dona Amélia de Leuchtenberg entre o Dr. João da Cruz Vicente de Azevedo, na época presidente do MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – e o General Carlos de Meira Mattos, Doutor em ciências políticas, pela Universidade Mackenzie, com a tese Geopolítica e Trópicos (1984).
Afirmou o General-professor-doutor que Dom Pedro I havia nomeado o Chalaça como procurador dos bens da Imperatriz-Duquesa- viúva, e que esse havia se aproveitado da ingenuidade da jovem viúva açambarcou os seus bens, deixando-a em situação financeira muito difícil, dificilíssima.
Dona Amélia de Leuchtenberg e a filha, Dona Maria Amélia Augusta Eugénia Josefina Luísa Teodolinda Heloísa Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, cognominada "A Princesa Flor”, não eram consideras como membros da Família Real Portuguesa, e nem tão pouco da Família Imperial Brasileira, assim não conseguiam receber nenhuma pensão, nenhuma dotação, nenhuma ajuda financeira, tanto em Portugal, quanto no Brasil, as Constituições não permitiam.
No Brasil, a Regência estabelecida durante a minoridade de Dom Pedro tinha medo delas, tinha receio que elas conturbassem o cenário nacional, a ponto de Dona Maria Amélia, nascida em Paris, França, no dia 1 de dezembro de 1831, não ser reconhecida pelo governo brasileiro por muitos anos como uma Princesa do Brasil, um membro da Casa Imperial do Brasil, alegando que o seu nascimento em território estrangeiro não a qualificada para tal. “ Seu reconhecimento como Princesa do Brasil só ocorreria em 1841, com a maioridade do irmão, Dom Pedro II”.
Que era mentira o boatão que Dona Amélia, quatro anos depois da morte de Dom Pedro I & IV, Duque de Bragança, isso é em 1838, havia se casado secretamente com o Chalaça em Berlim e ali passou a viver. Nenhum historiador sério, porém, admite tal hipótese, já que a infeliz Imperatriz de fato “ mudou-se para o Palácio das Janelas Verdes e dedicou-se a obras de caridade e à educação da filha, que demonstrou possuir grande inteligência e pendor para a música, ocasionalmente visitando a Baviera com sua menina”
Fui chamado por alguém, e não continuei a ouvir a interessante conversa
Fim do Interregno

Vamos somente a um fato:
1-     O Chalaça não era honesto.
Vou me reportar a esse fato que transcrevo do  https://frags.wiki/  :
Os documentos hoje divulgados através da Vida do Marquês de Barbacena, de Antônio Augusto de Aguiar,...Numa carta de 25 de julho de 1828, referindo-se às despesas levadas à conta da viagem da menina Dona Maria da Glória, dizia a Barbacena o secretário privado do Imperador:
“A demora do paquete deu-me logo a escrever-lhe com mais vagar e a ajuntar todas as contas das despesas feitas com a viagem de S. M. F.
Da conta junta verá que ela importa em 97:081$345; todos os documentos estão na minha mão, exceto o que é da ucharia e mantearia , pois preciso de tempo para bem os verificar e depois saber o que por lá houve; e como pretendo pagá-los em consignações mensais, quando receber notícia da chegada de V. Exa. à Europa, e obrar em conformidade do que me disser.
Diga-me V. Exa. uma coisa, como amigo, àquela importância de noventa e sete contos e tanto da despesa feita por conta de Portugal, não se poderia acrescentar uma comissão de 5% de compras, agência etc.; se vir que tudo isto tem lugar, parece-me que poderei ter pelo meu trabalho aquela comissão; quando, porém, pense que não tem lugar, faça o obséquio de persuadir-me que em tal não falei.”
Acusando o recebimento desta missiva e das que lhe haviam sido endereçadas a 22 e 27 de julho, dizia, a 9 de outubro, Barbacena, já em Londres, que “a comissão a respeito da qual me consulta na sua carta, é de lei em todas as compras e acho que a deve carregar em tudo, menos nos 33:650$970, da marinha, e formará o último artigo da conta geral das despesas feitas no Rio, deste modo: comissão de… por cento paga a diferentes pessoas empregadas na compra dos objetos da ucharia etc. Deste modo, não é V. S. quem recebe a comissão e não haverá motivo de raiva, visto que os nossos faladores desejam sobretudo ver os fiéis servidores do imperante morrerem de fome”
E nessa carta, em que procurava salvar as aparências, satisfazendo a cupidez de Gomes da Silva, rematava Barbacena:
“Tenha dó de mim, pois o peso dos importantes negócios a meu cargo excede de muito às minhas forças.”
Em resposta ao que lhe escrevera o velho titular, depois de dar alguns informes sobre os negócios de Portugal, da aventura de Dom Miguel e a propósito do reconhecimento das filhas da Marquesa de Santos, acentuava Gomes da Silva que “o nosso bispo diocesano tem feito atos grandes; bandeou-se com a canalha republicana. Nosso amo agora escreve a Sua Santidade, pedindo-lhe uma bula para o demitir de bispo e capelão-mor; a carta vai dirigida a Itabaiana; tome isto a seu cuidado”.
Agradecia o obséquio da comissão de 5% sobre a quantia líquida de 64:547$875, abatidos os 33:650$970, citados por Barbacena, da importância total que fora, no entanto, elevada a 98:198$845, acrescidos com a comissão; ascendendo assim a dívida a 101:426$235.
Da quantia líquida – deveriam caber-lhe 3:227$300 – que bem conta me fazem, confessava Gomes da Silva.
Ou seja, o Chalaça levava comissão e cobrava sem o menor pundonor.  

A pobre da Imperatriz, neta da Imperatriz Josefina e do Imperador Napoleão I, sofreu um bocado.
 “ A implacável morte [ da Rainha Dona Maria II] ainda lhe trouxe mais amargurados desgostos: em julho de 1859 sucumbia a rainha D. Estefânia, pouco mais dum ano do seu casamento com o rei D. Pedro V, e em 1861 falecia este monarca e os seus irmãos D. Fernando e D. João. A imperatriz desde então vivia muito concentrada no seu palácio [ o Palácio das Janelas Verdes], entregando-se exclusivamente a práticas caridosas, mas estes dolorosos golpes ferindo-a no mais íntimo da alma, acabaram por agravar melindrosamente o seu estado, até que sucumbiu, com pouco mais de sessenta anos, vítima duma lesão que começara a manifestar-se desde a morte do imperador D. Pedro. A imperatriz dava avultado número de esmolas e pensões; fundou na ilha da Madeira, no Funchal, um hospital para tuberculosos; protegeu desveladamente os asilos da infância desvalida, indo ela pessoalmente, enquanto os sofrimentos lho permitiram, indagar do aproveitamento das criancinhas, animá-las e socorre-las. Por sua morte, além destas, muitas outras instituições foram contempladas”.
Fonte: Portugal – Dicionário - http://www.arqnet.pt/dicionario/mariaamelia1.html
“ O Palácio das Janelas Verdes foi edificado em 1690 pelo Conde de Alvor, Dom Francisco de Távora, que foi vice-rei da Índia.  De planta retangular foi transformado em 1884, em Museu Nacional de Belas-Artes, hoje Museu Nacional de Arte Antiga, tendo sofrido, entre 1937 e 1940, obras de ampliação, consubstanciadas na construção de um novo corpo, correspondente às últimas seis janelas do lado poente, de traça semelhante à do edifício seiscentista”.


Mais, na real:
O Chalaça adorava uma sinecura, mas a Regência no Brasil deu basta numa delas, como veremos:
Francisco Gomes da Silva, que viera em 1808 com a família real, aqui viveu à tripa forra. Estava na Europa já há algum tempo quando se deram os acontecimentos de 1831, que determinaram a expulsão do primeiro Imperador.
A Regência Trina, por ato de 9 de dezembro de 1831, o demitiu do cargo de oficial maior graduado da Secretaria do Império.
Foram estes os termos do decreto dos regentes:
“Sendo de pública notoriedade, por informações verídicas chegadas ultimamente da Europa, que Francisco Gomes da Silva que ali se achava com licença para tratar de sua saúde, não só não está doente, mas antes bom, pelo contrário, e trabalha ativamente ao serviço de Portugal e do ex-imperador, hoje Duque de Bragança, mostrando por isso não querer mais pertencer à grande família brasileira: a Regência, em nome do Imperador, há por bem demiti-lo do lugar de oficial maior graduado da Secretaria de Estado dos Negócios do Império.”
Em represália ao que escrevera o grande jornalista Evaristo da Veiga, constituiu Gomes da Silva advogado, dando-lhe procuração e plenos poderes para chamar à responsabilidade o redator da Aurora Fluminense. Evaristo compareceu perante o Júri e foi absolvido, tendo a presidir o conselho de sentença o padre Januário da Cunha Barbosa.
“Em 30 de dezembro de 1852 morre velho e doente o Chalaça. Havia partilhado sua colossal fortuna - quatro vezes maior, do que de sua sócia a Marquesa de Santos - entre os filhos legítimos e ilegítimo”.
“ Suas últimas palavras foram: "Padre José, eu amei demais as mulheres e o dinheiro…".

Foi esse o grande amigo de Dom Pedro de Alcântara, um amigo da vida toda, ou um sanguessuga de marca maior?



Dom João VI considerava que era importantíssimo para a recuperação de Portugal Continental, para o Portugal Europeu, as boas relações com o Brasil, e Dom Pedro tinha o mesmo pensamento.
Por mais que Dom João VI amasse o Brasil, que gostasse muito de sua idílica Quinta da Boa Vista, da Casa de Banho na Praia do Caju para tomar seus banhos de mar numa tina, amancebado com sua gorda escrava, bem longe de sua esposa moradora na Enseada de Botafogo, que tivesse sido Aclamado na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro/Brasil pela Graça de Deus, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc., ele era português, um zelador feroz de sua Dinastia de Bragança, a centenária Casa Real, e tinha a noção exata de sua importância física para os Negócios de Portugal do Algarve e do imenso Império Transcontinental.
Afinal havia jurado de joelhos, em frente a relíquia do Santo Lenho (um fragmento da cruz de Cristo) com a mão direita sobre o missal aberto com um crucifixo de prata, com as seguintes palavras:

“Juro e prometo com a graça de Deus vos reger, e governar bem, e direitamente, e vos administrar direitamente Justiça, quanto a humana fraqueza permite; e de vos guardar vossos bons costumes, privilégios, graças, mercês, liberdade, e franquezas, que pelos Reis Meus Predecessores vos foram dados, outorgados e confirmados”.

E com ele, ou através dele, manter a sua Herança Real, a defesa da memória de seus antepassados reais, a Historia iniciada com Dom Afonso Henriques, o Pai da Nacionalidade, em 5 de dezembro de 1143 de nosso querido Portugal.
Sabia o sábio Monarca que o Brasil junto com Portugal formaria uma grande potência, como eu creio que hoje ainda unidos poderíamos reconquistar a importância do Espaço Lusófono nas relações transcontinentais.
Ainda podemos portar com galhardia as espadas dos navegadores.
Tinha consciência o Sábio Monarca que nada mais seria com dantes depois de seu Retorno a Portugal, nem lá, nem cá.
Mais, isso é outro assunto...
Os céus sobre a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro as vésperas da Reunião do Conselho que determinou a Independência do Brasil, estava carregadíssimo.
Revérbero Constitucional Fluminense, uma publicação que circulou após o retorno da Família Real para Portugal, publicado por Joaquim Gonçalves Ledo, um Maçom, um dos promotores do "Dia do Fico", e por Januário da Cunha Barbosa, cônego da Capela Real, posteriormente diretor da Biblioteca Nacional, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro do qual se tornou secretario perpetuo, tinha “ tendências francamente republicanas”, daí podemos dizer que “o Brasil de 1822 era mais republicano do que em 1789 ou em 1817. A violência dos castigos aos revolucionários daquelas épocas aumentou o número de adeptos do regime vitorioso em toda a América e era aos republicanos que Pedro I enfrentava. ” [Carlos Maul – “A Marquesa de Santos”
“ Ao pai, Imperador Francisco I da Áustria, Dona Leopoldina [ então esposa do Principe Regente do Reino do Brasil]  escreveu em 9 de junho de 1821: Aqui está uma verdadeira miséria, todos os dias novas cenas de revoltas; os verdadeiros brasileiros são cabeças boas e tranquilas, as tropas portuguesas estão animadas pelo pior espírito e meu esposo, infelizmente, ama os novos princípios e não dá exemplo de firmeza, como seria preciso, pois atemorizar é o único meio de pôr termo à rebelião; receio que tome consciência tarde demais, com seu próprio prejuízo, e só posso ver um futuro negro; Deus sabe o que ainda acontecerá conosco”
A carga era tanta que em outra carta datada de São Cristóvão, em 12 de dezembro de 1822, a novíssima Imperatriz do Brasil Dona Leopoldina de Habsburgo, descrevia com exatidão o verdadeiro cenário em que se encontrava o Brasil antes de depois da Independência declarada a seu pai Francisco I, Imperador da Áustria:
 “O Barão de Marechal * dar-vos-á notícia de tudo, portanto, nada conto, somente peço que considereis os fatos sobre outros pontos de vista e estejais convencido de que não poderia ser de outro modo, visto o povo estar voltado às ideias republicanas. ” [ “Cartas da Imperatriz”, conservadas no arquivo do Castelo d’Eu]
 *O agente diplomático da Áustria no Brasil, Felipe Leopoldo Wenzel, Barão de Marechal.
A irmã Maria Luísa, Imperatriz-consorte dos Franceses (de 1 de abril de 1810 - 10 de junho de 1814), mais agora Duquesa de Parma, Piacenza, e de Guastalla (de 11 de abril de 1814 - 17 de setembro de 1847)por decisão do Congresso de Viena,   em 2 de julho de 1821“o Brasil é, sob todos os aspectos, um país tão maduro e importante, que é incondicionalmente necessário mantê-lo”.
O fato acima “por si só já demostrava que a Princesa começava a se inclinar cada vez mais para os interesses brasileiros, enquanto o marido permanecia obediente às Cortes portuguesas”.
Dom Pedro nunca quis SE LIVRAR da Coroa Portuguesa, nunca, e eu não o condeno por isso.
Mais vamos aos fatos independentistas:
1-     Foi em uma sessão extraordinária do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822 que Dona Leopoldina que repudiou sem mais delongas os famosos “ despachos das Cortes de Lisboa” que exigiam o retorno do Príncipes – Regentes para Portugal.
Dona Leopoldina de Habsburgo, então Princesa Regente a frente dos Negócios do Reino do Brasil com o apoio de Jose Bonifácio de Andrade e Silva, decidiu pela separação definitiva entre Brasil e Portugal, assinando então a Declaração de Independência.
A Declaração da Independência foi enviada de volta a Lisboa pelo mesmo correio que trouxe a ordem de retorno.
Em seguida, enviou o mensageiro Paulo Bregaro para entregar a Dom Pedro uma carta informando sobre o ocorrido, pois o Principe Herdeiro estava viajando por São Paulo.
Não sei se com Dom Pedro no Rio de Janeiro tal Declaração de Independência seria cogitada, assinada, e despachada para Lisboa. Tenho serias dúvidas, exemplifico: 
A-   Em 22 de setembro de 1822 Dom Pedro escreve ao Rei do Brasil, seu pai, o senhor Dom João VI, ainda se qualificando como Príncipe Regente do Reino do Brasil.
B-    Ao ser Aclamado o novo Soberano do Brasil independente, o Imperador do Brasil, no Campo de Santana, que ficou conhecido como Campo da Aclamação, e atualmente é a Praça da República, no Rio de Janeiro, no dia 12 de outubro de 1822, deixou claro que “ se João VI retornasse ao Brasil ele iria descer do trono em favor de seu pai”.
C-    Um fato que gerou a data da Coroação Imperial:
Em 1 de dezembro de 1640, no Paço da Ribeira, residência oficial dos Reis portugueses durante cerca de 250 anos, foi dado um Golpe Palaciano por alguns nobres portugueses comandados por Dom Miguel de Almeida, futuro Conde de Abrantes, contra o domínio dos Reis de Espanha em Portugal, então exercido em conjunto pela Vice-rainha Margarida de Savoia, Duquesa viúva de Mântua e Monferrato, título que lhe adveio por ter casado com o Duque Francisco de Gonzaga, da Casa de Gonzaga, que tinha o senhorio da cidade italiana de Mântua, governando-a como Duque soberano, e prima de Dom Filipe IV , Rei de Espanha e Felipe III em de Portugal, e por Miguel de Vasconcelos e Brito, Senhor do Morgado da Fonte Boa, Secretário de Estado,  este que descoberto escondido dentro de um armário foi “ crivado de balas, e atirado pela janela. O corpo caiu no meio de uma multidão enfurecida que largou sobre ele todo o seu ódio, cometendo verdadeiras atrocidades, sendo deixado no local da queda para ser lambido pelos cães, símbolo da mais pura profanação”.
Esse ato restaurou a independência de Portugal em relação a Coroa de Espanha e levou Dom João II, 8.º duque de Bragança, 5º Duque de Guimarães e 3.º Duque de Barcelos, 7.º Marquês de Vila Viçosa, Conde de Barcelos, Guimarães, Arraiolos, Ourém e Neiva, 14º Condestável de Portugal, da Sereníssima Casa Ducal de Bragança, ao Trono de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.
Destaque:
ASSIM, numa demonstração clara de continuísmo Dinástico da Casa de Bragança, no dia 1 de dezembro de 1822, isso é no aniversário do Golpe Palaciano dos nobres português que elevou a Família de Bragança de Casa Ducal para Casa Real, foi o senhor Dom Pedro I coroado no Rio de Janeiro o novo Imperador do Brasil.



Por fim, Dom Pedro, elevado por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, nunca abdicou de sua condição de Príncipe Real de Portugal e Algarves, permanecia na Linha de Sucessão ao Trono português como o Príncipe Herdeiro da Coroa portuguesa e seu Império.  
O Tratado do Rio de Janeiro ou Tratado Luso-Brasileiro, assinado em 29 de agosto de 1825, foi o acordo internacional firmado entre Brasil e Portugal que reconheceu a Independência do Brasil e formalmente pôs fim à Guerra da Independência, é prova provada do que digo, apesar das pressões dos homens da Inglaterra.
O tratado é composto por onze artigos, que estabelecem respectivamente:
ART. I - O rei de Portugal D. João VI reconhece o Brasil como um império independente, chefiado por filho Pedro e seus descendentes. No entanto, D. João VI guarda para si a prerrogativa de ser tratado como Imperador.
ART. II - D. Pedro I concorda que seu pai utilize o título de Imperador até à morte.
ART. III - A terceira cláusula do Tratado determina que nenhuma outra colônia poderia se unir ao Brasil. Na época havia muitos brasileiros comerciantes de escravos vivendo na costa africana com interesse de se livrar dos encargos portugueses. Muitos panfletos brasileiros circularam em Angola, convidando Benguela a aderir à "causa brasileira".
ART. IV - Determina que "haverá de agora em diante paz e aliança e a mais perfeita amizade entre os Reinos de Portugal e Algarves e o Império do Brasil com total esquecimento das desavenças passadas entre os povos respectivos".
ART. V - Estabelece que os direitos de propriedade e religião dos nacionais de ambos os países devem ser respeitados, e que esses nacionais devem ser tratados da mesma forma que os nacionais de países terceiros que beneficiem de melhor tratamento em Portugal e no Brasil.
ART. VI - Determina a devolução de bens e a indenização de proprietários prejudicados durante a Guerra de Independência.
ART. VII - Determina a devolução e a indenização de proprietários de "embarcações e cargas apresadas", prejudicados durante a Guerra de Independência.
ART. VIII - Estabelece uma comissão "nomeada por ambos os Governos, composta de portugueses e brasileiros em número igual" para tratar dos casos dos art.s VI e VII.
ART. IX - Estabelece um procedimento para tratamento de "todas as reclamações públicas de Governo a Governo", que devem ser "reciprocamente recebidas e decididas".
ART. X - Restabelece o comércio entre os países, determinando uma taxa provisória de 15% sobre o consumo, e que as taxas de baldeação e importação seria as mesmas de antes da independência.
ART. XI - Determina que a troca de ratificações do presente Tratado se faria na cidade de Lisboa, dentro do espaço de cinco meses.

Lido, e relido, nota-se que na real não havia vontade política de estabelecer a uma verdadeira independência de interesses entre os dois Estados.
Dom João queria o Brasil, e Dom Pedro ambicionava Portugal, e ponto final. Dom João não escondia essa ideia, esse sonho, essa ambição, tanto que nos documentos oficias passou a  ser "Sua Majestade o Imperador e Rei D. João VI", isso é realmente uma prova de amor ao Brasil, de cuja nacionalidade é o pai.
Apesar desta ‘querência joanina’, Sua Majestade Real e Imperial abortou rapidamente a ideia de alguns políticos portugueses de formar uma expedição de reconquista do Brasil, pois queria um Brasil livre e prospero, ajudando ao velho e combalido Portugal.


Dom João VI foi envenenado por laranjas.
Aliás, as laranjas sempre trouxeram problemas a esse Grande Homem, quem não se lembra da Guerra das Laranjas de 20 de maio de 1801 - 6 de junho de 1801, conflito entre a Espanha e Portugal, no contexto das Guerras Napoleônicas, que recebeu este nome devido à do ramo de laranjeira que Godoy, o Principe da Paz, enviou a sua amante a Rainha Maria Luisa de Espanha.
Moribundo designou sua filha, a Infanta Isabel Maria, como Regente, alertando que o legitimo herdeiro era o senhor Dom Pedro de Alcântara, seu filho, Imperador do Brasil em função.
E o governo após sua morte - 10 de março de 1826 – reconheceu, pois logo Aclamaram ao senhor Dom Pedro como Dom Pedro IV, Rei de Portugal e dos Algarves, etc, etc, etc., sendo uma deputação enviada ao Reio de Janeiro com essa auspiciosa notícia.
Assim, o nosso Dom Pedro I passou a ser, de 10 de março de 1826 a 2 de maio de 1826, por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc., uma Titularidade que “ refletiu de facto e de direito a união das duas coroas sobre a cabeça de um membro da mesma Dinastia, a Casa de Bragança”.
Mais, essa ideia não prosperou.
Não havia campo para a Monarquia Dual, como anos mais tarde foi estabelecida a Monarquia Dual da Áustria-Hungria nas terras da Monarquia Habsburgo.
Não havia.   
Ambas as Constituições proibiam essa União.
Lembremos que a Constituição Brasileira de 1824 proibia qualquer possibilidade de união do Brasil com outro país, e que a Constituição Política da Monarquia Portuguesa aprovada em 23 de setembro de 1822 estava suspensa desde 3 de junho de 1823 por Dom João VI. El Rey a suspendeu por ocasião da Vilafrancada, a insurreição a princípio liderada pela Rainha Dona Carlota Joaquina e seu filho, o Infante D. Miguel, visando o estabelecimento do absolutismo em Portugal.

Ciente Dom Pedro IV outorgou a Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa em 29 de abril de 1826.
E em 2 de maio abdicou a Coroa portuguesa em sua filha mais velha, Dona Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.
Dona Maria da Glória era portuguesa, havia nascido em 4 de abril de 1819, é bem verdade que no Brasil, mas o Rio de Janeiro era a capital do Império Lusitano, além do que não havia Lei Sálica em Portugal, portanto nada impedia que a menina de 7 anos fosse Aclamada Sua Majestade Fidelíssima, A Rainha de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.
Ficou estabelecido o casamento de Dona Maria da Gloria com seu tio, Dom Miguel, como era Tradição em Portugal
Afinal, a bisavó da noiva, e avó do noivo, Dona Maria I casou com seu tio paterno, Dom Pedro III.


Dom Miguel estava exilado em Viena da Austria por ter atentado contra seu pai oficial, o senhor Dom João VI, e logo retornou lépido, fagueiro e pimpão.
Com essa União se pretendia a paz no Reino, mas ledo engano.
Dom Miguel, que era fraco das ideias, muito inconstante em suas decisões, mas tão ambicioso quanto am mãe, Carlota Joaquina, prestou juramento a Carta Constitucional e resignou-se ao casamento com sua sobrinha, assumindo a Regência em nome desta, porém, aliando-se aos sectores mais conservadores da nobreza, foi proclamado Rei de Portugal a 23 de julho de 1828, provocando assim o início das Guerras Liberais portuguesas, à Guerra Civil Portuguesa,  uma guerra civil entre os Liberais partidários de Dom Pedro e de Dona Maria II e os absolutistas partidários de Miguel chamados de Miguelistas.
De um lado os Miguelistas chefiados por D. Miguel I, apoiado pelo Rei de Espanha (até 1833) e seus partidários:
1-     Marechal de Campo Luís Vaz Pereira Pinto Guedes, casado com Maria Inês Cândida Pinto Bacelar, 2ª Viscondessa de Montalegre. Destituído das funções em 1834. Faleceu no ostracismo em Lisboa em 10 de maio de 1841 com 70 anos.
2-     Marechal de Campo José de Sousa Pereira de Sampaio Vaía, 2º Visconde de Santa Marta. Aposentou-se depois de se apresentara a Dom Pedro em Santa Marta de Penaguião é uma vila portuguesa do Distrito de Vila Real, da Região Norte, da sub-região do Douro e da antiga província de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde faleceu em 13 de fevereiro de 1847.
3-     Marechal de Campo Martinho Correia de Morais e Castro, 1.º Visconde de Azenha, Comendador da Ordem da Torre e Espada e condecorado com a Cruz de Condecoração para Oficiais da Guerra Peninsular, de prata. “ Destituído, por desavenças com D. Miguel I, e preso no Forte de São Julião da Barra e na Torre de Belém, recuperando a liberdade após a partida dele para o exiliom definitivo”. Nasceu Tarouca, no Distrito de Viseu, Região Norte e sub-região do Douro, em 11.01.1771, e morreu em Paredes, hoje concelho da Área Metropolitana do Porto em 23.06.1833.
4-     Marechal de Campo Manuel da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, 1.º Marquês de Chaves e 2.º Conde de Amarante, nascido em Vila Real é uma cidade portuguesa e capital do Distrito de Vila Real, situada na Região Norte e sub-região do Douro e na antiga província de Trás-os-Montes e Alto Douro, no dia 03.01.1792, e falecido em Lisboa no dia 07.03.1830.

Dom Pedro de Alcântara, o Duque de Bragança.

Do outro lado os Liberais tendo como cabeça Dom Pedro de Alcântara, o Duque de Bragança, apoiados pelo Reino Unido, pela França (a partir de 1830), pela Espanha (a partir de 1834), e por Voluntários Belgas:
1-      Marechal de Campo António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha, GCNSC , 7.º Conde de Juro e Herdade de Vila Flor,  1.º Marquês de Vila Flor, 1.º Duque da Terceira com Honras de Parente ( d’el- rei) por Carta Regia assinada por Dom Pedro, enquanto Regente em nome de sua filha D. Maria II,  comandante-em-chefe do Exército Português, Conselheiro de Estado, par do Reino, moço fidalgo da Rainha Maria I, gentil-homem da câmara de el-rei João VI, copeiro-mor e estribeiro-mor, 10.º capitão-general dos Açores, ali presidindo à Regência de Angra, agraciado com a Grã-cruzs da Ordem da Torre e Espada, agraciado com a Grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, quatro vezes Presidente do Conselho de Ministros.
“1.º ajudante-de-campo de Pedro V, que o considerava o seu segundo pai. Em 1858 foi nomeado comissário encarregado de ir, como representante do Rei, receber à Alemanha a Rainha Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen e trazê-la para Portugal”.
O Duque da Terceira faleceu, vítima de pneumonia, npelas 19 horas e 40 minutos do dia 26 de abril de 1860, contando 68 anos de idade, no Palácio Vila Flor, sito no bairro de Alfama, em frente à rua do Cais de Santarém, sua residência habitual. Foi a sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora.
2-     Marechal general do exército João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Daun GCTE • GCC • GCSE • GCNSC, também conhecido por Marechal Saldanha, 1.º Conde, 1.º Marquês e 1.º Duque de Saldanha, Por decreto de 30 de outubro de 1862, foi agraciado com honras de parente (d' el-rei)., governador de armas do Porto, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Par do Reino, conselheiro de estado efetivo, ministro plenipotenciário em Londres, mordomo-mor da Casa Real, vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar, ministro das pastas da Guerra e dos Negócios da Fazenda, e, por quatro vezes, presidente do Conselho de Ministros de Portugal, Grã-cruz da Ordem Militar de Cristo; Grã-cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; Grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa; Grã-cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada;
Ordens estrangeiras: Grã-cruz da Ordem de São João de Jerusalém; Grã-cruz da Ordem de São Fernando; Grã-cruz da Ordem de Isabel a Católica, de Espanha; Grã-cruz da Ordem de Carlos III de Espanha; Grã-cruz da Legião de Honra, de França; Grã-cruz da Ordem de São Gregório Magno, de Roma; Grã-cruz da Ordem de Pio IX, de Roma; Grã-cruz da Ordem de Ernesto Pio, de Saxe-Coburgo; Grã-cruz da Ordem de Leopoldo, da Áustria; Grã-cruz da Ordem de São Filipe do Leão de Limburg, dos Países Baixos; Grã-cruz da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro, de Itália; Grã-cruz da Ordem de Leopoldo da Bélgica; Grã-cruz da Ordem de Alberto, o Valoroso, de Saxónia; Grã-cruz da Ordem do Salvador, da Grécia; Grã-cruz da Ordem da Águia Branca, da Rússia; Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, de Espanha; Cavaleiro da Ordem da Anunciação, de Itália (Casa Savoia).
“Foi artífice da Saldanhada foi um pronunciamento militar que ocorreu em Portugal a 19 de maio de 1870, sendo o último dos muitos golpes militares liderados pelo marechal João Oliveira e Daun, Duque de Saldanha, na sua longa carreira político-militar, daí o nome com que ficou conhecido. Através da Saldanhada o grupo militar conservador liderado por Saldanha impôs ao Rei D. Luís a demissão do governo então presidido pelo Duque de Loulé, e a sua substituição por novo executivo, presidido pelo próprio Marechal Saldanha. Sendo um governo serôdio e sem apoio real, o executivo de Saldanha durou cerca de três meses, sendo facilmente derrubado. Com o assentimento britânico, o Duque de Saldanha foi então nomeado embaixador de Portugal em Londres, partindo para um exílio dourado onde faleceu a 21 de novembro de 1876”.
3-     Dom Pedro de Sousa Holstein, Conde de Palmela, Titulo criado por Dona Maria I, em Carta Real de 11-04-1812, e 1.º Duque de Palmela, Título criado por D. Maria II, por Decreto Real de 18-10-1850, Duque do Faial por Decreto Real de 4 de abril de 1833.  Conde de Sanfré no Reino da Sardenha, hoje Italia. Representou Portugal no Congresso de Viena, Presidente do Conselho de Ministros, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ministro do Reino, Ministro dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça, Ministro da Fazenda. Serviu ainda de embaixador em Copenhagen, Berlim, Roma, Madrid ou Londres. Por ser filho de Dom Alexandre de Sousa Holstein, senhor da Casa dos Sousas, chamados do Calhariz, então embaixador no Reino da Sardenha, nasceu em Turim no dia, 8 de maio de 1781 e faleceu em Lisboa, 12 de outubro de 1850, sendo sepultado no maior mausoléu particular da Europa, com cerca de 200 corpos e restos mortais pertencentes à mesma família, no Cemitério dos Prazeres, na freguesia da Estrela, perto do bairro de Campo de Ourique, sendo o segundo maior cemitério da capital portuguesa.
4-     Marechal de Campo Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, , Moço fidalgo da Casa Real, Par do Reino, 1.º Barão de Sá da Bandeira, Título criado por D. Maria II, por Real Decreto de 04-04-1833; Marques de Sá da Bandeira, Título criado por D. Luis I, Rei de Portugal, por Real Decreto de 03-02-1864; Marqueses de Sá da Bandeira, Titulo criado por D. Luis I, Rei de Portugal, por Real Decreto de 03-02-1864. Cinco vezes Presidente do Conselho de Ministros. Solteiro Sá da Bandeira faleceu na madrugada de 6 de janeiro de 1876, na casa Nº5 da Calçada da Nataria da freguesia do Coração de Jesus (Lisboa), tinha 80 anos, está sepultado no  Cemitério dos Capuchos, em Santarém, segundo a sua vontade.

Estas foram as pelejas:
Combate do Pico do Seleiro, ilha Terceira (4 de outubro de 1828)
Batalha da Praia da Vitória, ilha Terceira (11 de agosto de 1829)
Recontro da Ladeira do Gato, ilha de São Jorge (abril de 1831)
Combate da Ladeira da Velha, ilha de São Miguel (3 de agosto de 1831)
Cerco do Porto (Julho 1832 - agosto 1833)
Batalha da Ponte Ferreira, freguesia de Campo, concelho de Valongo (23 de julho de 1832)
Batalha do Cabo de São Vicente (5 de julho de 1833)
Batalha de Alcácer do Sal (2 de novembro de 1833)
Batalha de Pernes (30 de janeiro de 1834)
Batalha de Almoster (18 de fevereiro de 1834)
Batalha de Sant’Ana (24 de abril de 1834)
Batalha de Asseiceira (16 de maio de 1834)
Combates da Formiga, cidade de Ermesinde, concelho de Valongo (data desconhecida, embora seja provável ter acontecido poucos dias antes da Batalha da Ponte Ferreira ou até no mesmo dia)
A Convenção de Évora Monte assinada entre liberais e miguelistas na vila alentejana de Evoramonte (atual concelho de Estremoz), em 26 de maio de 1834, que pôs termo à Guerra Civil Portuguesa.
Acontece a “ A Lei do Banimento promulgada em 19 de dezembro de 1834 que obrigou ao exílio D. Miguel I, então já destituído do estatuto de realeza e dos direitos de sucessão ao trono de Portugal, e os seus descendentes”.
Carta de Lei, de 19 de dezembro de 1834 - Dona Maria Segunda, por Graça de Deos, Rainha de Portugal, Algarves, e seus Dominios: Fazemos saber a todos os Nossos Subditos que as Cortes Geraes e Extraordinarias Decretaram, e Nós Queremos a Lei seguinte: Art.º 1.º O ex-Infante D. Miguel, e seus descendentes são excluídos para sempre do direito de suceder na Corôa dos Reinos de Portugal, Algarves, e seus Dominios. Art.º 2.º O mesmo ex-Infante D. Miguel, e seus descendentes são banidos do territorio Portuguez, para em nenhum tempo poderem entrar nelle, nem gosar de quaesquer direitos civis, ou políticos: a conservação, ou acquisição de quaesquer bens fica-lhes sendo vedada, seja qual for o título, e a natureza dos mesmos: os patrimoniaes, e particulares do ex-Infante D. Miguel, de qualquer especie que sejam, ficam sujeitos ás regras geraes das indemnisações.

Após a implantação da República Portuguesa a 5 de outubro de 1910, a promulgação da Lei da Proscrição estendeu este exílio a todos os ramos da família real portuguesa. A 27 de maio de 1950, a Assembleia Nacional Portuguesa revogou a Lei de Proscrição.
Hoje um descendente direto de Dom Miguel I, de nome completo Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança, mas no civil Duarte Pio de Bragança GMNSC, nascido em Berna, Suíça, 15 de maio de 1945, filho de primeiro filho de Dom Duarte Nuno Fernando Maria Miguel Gabriel Rafael Francisco Xavier Raimundo António de Bragança e de Dona Maria Francisca Amélia Luisa Vitória Teresa Isabel de Orléans e Bragança, nascida Princesa de Orléans e Bragança, portanto uma Princesa do Brasil, é o Chefe da Casa Real Portuguesa, Duque de Bragança, Pretendente ao Trono português.
É, também, Grão-mestre da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Bailio grã-cruz de Honra e Devoção da Ordem Soberana de Malta, oficial piloto aviador da Força Aérea Portuguesa
Frequentou o Colégio Militar, o Instituto Superior de Agronomia e o Instituto de Estudos Africanos, em Genève, Presidente do Grupo Internacional de Reinstalação dos Refugiados do ex-Ultramar Português.
Residente em Portugal.

 
Retrato de 1830
por Simplício Rodrigues de Sá

Mas, voltemos no tempo...
Ora, a coisa no Brasil estava feia para os lados de Dom Pedro I.
Voltando das Minas Gerais, onde havia ido para acalmar os ânimos populares, se deparou com a Corte dividida entre brasileiros e portugueses, e aconteceu a Noite das Garrafadas de 13 de março de 1831.
Sabedor do estado de revolta que tomou a cidade, Dom Pedro I saiu-se com essa: "Tudo farei para o povo, nada, porém, pelo povo".
E isso queria dizer segundo Razec, o filosofo:
“Que faria tudo para o povo, mas só o que lhe convém, já o que era de interesse do povo, mas não de seu próprio interesse, não seria feito”.
É pode ser.
As tropas aderem ao movimento, deixando o monarca sem o apoio das armas, e Dom Pedro I apela para Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, mais conhecido como Senador Vergueiro, um liberal, que não foi encontrado em canto algum.  
Assim...
Diante disso, e da usurpação Miguelista do Trono da filha dileta, abdicou a Coroa Imperial Brasileira as duas horas da madrugada do dia 7 de abril de 1831,
em favor de seu filho Dom Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II.
Foi sucinto:
"Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que tenho muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho, o Senhor D. Pedro de Alcântara.
Boa Vista, 7 de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império."
Pedro.

Em mais um ato teatral “ entregou a abdicação ao major Miguel de Frias e Vasconcelos (comandante da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras) que lhe viera comunicar o estado de ânimo das tropas e do povo, dizendo-lhe então, segundo alguns, “com os olhos marejados”:

"Aqui está a minha abdicação; desejo que sejam felizes! Retiro-me para a Europa e deixo um país que amei e que ainda amo."

Contudo vez uma limpa nos precários e sujos Palácios cariocas.
E embarca na corveta inglesa Volage, com SM a Imperatriz e comitiva (dois camareiros, alguns oficiais da guarda, e quatro negros de libré com galões com as cores do Brasil), comandada pelo Almirante Charles Abbot, 2.º Barão Colchester, Peerage do Reino Unido, chegando a Cherbourg, na Normandia, França, em 12 de junho de 1831.
Em Cherbourg, D. Pedro recebeu todas as honras devidas a um monarca no poder. Os marinheiros ingleses da fragata Volage, que o trouxera, vestindo seus uniformes de gala, deram-lhe nove vivas, ao tempo em que a fragata e todas as fortalezas de terra o saudaram com uma salva de 21 tiros de canhão. Nos discursos de boas-vindas, ele foi saudado como um defensor da liberdade, um doador de constituições. Cinco mil homens da Guarda Nacional perfilaram-se para que ele os inspecionasse. A prefeitura da cidade ofereceu-lhe um palácio para que ele e sua corte pudessem se instalar. Dom Pedro faria de Cherbourg sua primeira base na Europa, convidando seus fiéis amigos, Antônio Teles da Silva, o Marques de Resende, e Francisco Gomes, o famoso Chalaça, para com ele ali se reunirem.

D. Maria II e comitiva seguiram na corveta francesa La Seine, e depois de 93 dias de viagem chegam ao porto de Brest, na Bretanha, França, em 14 de julho de 1831
Pai, madrasta, agora Duques de Bragança, e filha, a Rainha por direito próprio de Portugal, se encontram em Londres no dia 2 de agosto de 1831, sendo recebidos com todas as Honras por Guilherme IV, Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, Defensor da Fé, e Rei de Hanover.
Dona Maria II ocupa a embaixada portuguesa em Londres onde lhe é dado um Cetro de Ouro, um exemplar da Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa, por portugueses.
Nessa estadia inglesa dá-se o encontro com Dom Pedro de Sousa Holstein, 1.º Duque de Palmela, um dos Regentes – os outros eram António José de Sousa Manoel de Meneses Severim de Noronha, 1º Duque da Terceira, e José António Guerreiro -  nomeados por Dom Pedro em nome de Dona Maria II, Regência está estabelecida em Angra (hoje Angra do Heroísmo e uma das nove ilhas dos Açores) na ilha Terceira, denominada historicamente como Regência de Angra, ou  como Regência da Terceira, em 15 de junho de 1829, a frente de uma comitiva de notáveis para demostrar Fidelidade a Rainha e tratar de outros assunto com o Duque de Bragança.
Dom Pedro, Duque de Bragança, levanta um empréstimo na Praça de Londres de 2 milhões de Libras para financiar a chamada “ Causa da Rainha”.
De regresso a Paris, a Família Real se instala no Castelo de Meudon- Château de Meudon, em Meudon, Île-de-France, cedido por Luis Felipe, Rei dos Franceses.

Luis Felipe, Rei dos Franceses.

Aqui tem uma ‘piada’, pois no futuro serão cosogros.
Dona Francisca Carolina Joana Leopoldina Romana Xavier de Paula Micaela Rafaela Gabriela Gonzaga de Bragança, filha de Dom Pedro e de Dona Leopoldina, nascida no Paço da Imperial Quinta de São Cristóvão, Rio de Janeiro, em 2 de agosto de 1824, casou no Rio de Janeiro em 01.05.1843 com François d' Orléans, Príncipe de Joinville, nascido em Neuilly-sur-Seine, no hoje departamento de Hauts-de-Seine na Região de  Île-de-France, em 14.08.1818, e falecido na cidade de Paris, em 16.06.1900, filho de Luis Filipe I, rei dos Franceses , e de Maria Amália de Bourbon, nascida Princesa das Duas Sicílias, portanto viraram cosogros.
O Vice-Almirante Príncipe de Joinville foi quem comandou a fragata La Belle Poule, que levou os restos mortais de Napoleão Bonaparte da Ilha de Santa Helena, no meio do Oceano Atlântico, de volta para a França para ser enterrado no Hôtel des Invalides, em Paris, em 1840, por iniciativa do estadista Adolphe Thiers e do Rei Luís Filipe I.
Dona Francisca, Princesa de Joinville, apelidada de Chicá na França, faleceu em
Paris, 27 de março de 1898 com 73 anos.
Mais, naquela altura não se imaginava essa União.

E as negociações pela “ Causa da Rainha” continuam.
Em 20 de outubro de 1831 a Regência da Terceira concede plenos poderes a Dom Pedro de Sousa Holstein, então Marquês de Palmela, para negociar com os governos da França e da Inglaterra – UK- acordos tendo como finalidade a restituição do Trono a senhora Dona Maria II.
Enquanto isso em Paris, o senhor Dom Pedro de Bragança passeava a pança com toda fidalguia.
Sobre essa temporada francesa vou usar as palavras da senhora Isabel Lustosa, Doutora em Ciência Política e Pesquisadora Titular em História da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, em seu artigo “ O séjour de D. Pedro I em Paris e a imprensa francesa: familiaridade e exotismo”:
A imagem de d. Pedro I na imprensa francesa, durante o período em que viveu em Paris (de agosto de 1831 a janeiro de 1832), foi fundamental para o sucesso que ele alcançou na busca de apoios para a expedição com que retomaria a coroa de D. Maria II usurpada por D. Miguel. Ao caráter liberal que d. Pedro dera ao modelo político brasileiro que lhe garantiria o apoio dos liberais franceses, juntavam-se aspectos míticos de sua trajetória e do país onde vivera. A familiaridade com que d. Pedro tratava a todos, nobres e plebeus, também seria um fator importante para a conquista de adesões à causa de d. Maria.
O fato é que Dom Pedro era um europeu, membro de uma das dinastias mais antigas da Europa e, por força de seu estilo e de suas opções políticas, estava em perfeita sintonia com o espírito da Monarquia de Julho.
...e, na primeira vez em que foi visto na plateia do Opera, causou enorme sensação. Fígaro, Journal de Débats, La mode e outras publicações deram a notícia como quem registra um grande acontecimento.
Apesar de d. Pedro ter declarado que seu objetivo era viver na Europa como um simples particular, esse particular era o pai de uma rainha destronada que nunca deixou de se empenhar para repô-la no trono. E esta seria a grande missão que levaria a cabo em Paris fazendo uso de recursos políticos bem modernos.
Fim das palavras da professora – doutora Isabel Lustosa.
Um site confiável de genealogia:
Não há melhor local de conhecimento dos assuntos monárquicos - especialmente os luso-brasileiros- do que o  http://geneall.net/pt/
O Geneall é “ um projeto de Genealogia de carácter científico e cultural, sem fins lucrativos, que tem como principais objetivos:
Promover, divulgar e conservar estudos e investigações genealógicas de carácter científico;
Disponibilizar na internet as obras de Genealogia publicadas, com especial prioridade para as obras de referência e as de menor acessibilidade por parte dos investigadores;
Aproximar os estudiosos destas matérias;
Fomentar o desenvolvimento do estudo da Genealogia;
Estabelecer, numa base de dados única, as ligações genealógicas que unem os portugueses até hoje”.

Por isso vou lançar mão dos dados encontrados no verbete  sobre Dom Pedro I, agora Dom Pedro, o Duque de Bragança, um general na Guerra Civil Portuguesa, ou Guerras Liberais, ou Guerra Miguelista, ou Guerra dos Dois Irmãos, “travada em Portugal entre liberais constitucionalistas e absolutistas sobre a sucessão real, que durou de 1828 a 1834”, vamos a eles:
20.03.1826 A Regência reconhece o imperador D. Pedro I do Brasil, como legítimo rei de Portugal, enquanto D. Pedro IV.
26.04.1826 D. Pedro IV, do Rio de Janeiro, confirma os poderes da Regência.
29.04.1826 D. Pedro IV outorga a Portugal uma Carta Constitucional inspirada no modelo brasileiro que seguira o francês.
30.04.1826 D. Pedro IV nomeia os Pares do Reino de acordo com o estabelecido pela Carta.
02.05.1826 D. Pedro IV abdica a favor de sua filha D. Maria da Glória, sob condição de esta jurar a Carta e casar com seu tio D. Miguel.
05.05.1826 Abdicação de D. Pedro IV em sua filha D. Maria II.
03.07.1827 Decreto de D. Pedro nomeando D. Miguel lugar-tenente da Rainha.
19.10.1827 De Viena de Áustria, D. Miguel escreve a seu irmão D. Pedro aceitando a nomeação do cargo de Lugar-Tenente e Regente do Reino e promete defender as instituições. No mesmo sentido, escreve tambèm à Infanta D. Isabel Maria.
19.10.1828 Instruções do duque de Palmela à delegação por ele enviada ao Imperador do Brasil, D. Pedro, no Rio de Janeiro.
23.12.1828 Alvará de D. Pedro declarando o casamento de sua filha a princesa D. Maria da Glória com o seu tio, o Infante D. Miguel, como nulo e de nenhum efeito.
23.12.1828 Revogação da nomeação de D. Miguel como lugar-tenente de D. Pedro e regente do Reino.
23.03.1830 A regência de D. Pedro, na Terceira, nomeia o visconde da Carreira para seu representante na Haia.
15.06.1830 D. Pedro, do Rio de Janeiro, confirma a Regência da ilha Terceira: Palmela, Terceira e Guerreiro.
15.06.1830 Chegada a Brest do marquês de Santo Amaro, enviado do imperador do Brasil, D. Pedro.
07.04.1831 O imperador do Brasil, D. Pedro I, é obrigado pelo exército a abdicar em favor de seu filho, D. Pedro II.
13.04.1831 O imperador do Brasil, D. Pedro I, embarca em viagem para a Europa, depois de assinar a sua abdicação do trono brasileiro.
04.05.1831 Em viagem, D. Pedro aporta na ilha do Faial, de onde escreve a Terceira.
26.06.1831 Chegada de D. Pedro a Londres. Segundo empréstimo na Terceira.
26.07.1831 Visita de D. Pedro e D. Maria II a França.
16.08.1831 D. Pedro fixa a residência em França.
31.10.1831 D. Pedro envia a Gregório XVI uma carta de protesto pelo reconhecimento de D. Miguel como rei de Portugal.
24.01.1832 Em vésperas da sua partida para Portugal, o imperador do Brasil avista-se em Paris com o rei dos Franceses, Luis Filipe.
25.01.1832 Com destino à Ilha Terceira, onde se reúnem as forças liberais, D. Pedro I embarca em França no porto de Belle-Isle.
02.02.1832 “Manifesto” de D. Pedro aos portugueses em que declara que estava assumindo a Regência em nome da Rainha Dona Maria II.
Assim:
“ Dom Pedro ajoelhou-se diante de Maria e disse:
"Minha senhora, aqui estás um general português que irá manter os seus direitos e restaurar sua coroa".
Sua filha o abraçou em seguida em lágrimas.

10.02.1832 D. Pedro parte do porto francês de Belle-Isle rumo aos Açores.
22.02.1832 D. Pedro chega a S. Miguel, Açores.
03.03.1832 D. Pedro chega à ilha Terceira. Assumindo a regência, nomeia um Ministério que integra, entre outros, Palmela, Mouzinho e Freire. Terceira general, fica sob o comando do regente.
25.04.1832 D. Pedro vai a São Miguel preparar a expedição ao Reino.
28.10.1832  Na sequência do forte bombardeamento sobre o Porto, D. Pedro transfere a sua residência do Palácio das Carrancas para uma casa na rua de Cedofeita.
03.11.1832 O regente D. Pedro decreta uma amnistia que permite aos emigrados o regresso a Portugal.
05.11.1832 Carta do regente D. Pedro louvando a chefia militar do conde de Vila Flor, que deixa as funções de comandante em chefe do exército liberal, substituído pelo próprio D. Pedro.
16.11.1832 Palmela e Mouzinho de Albuquerque propõem a D. Pedro a arbitragem inglesa e francesa para a conciliação nacional.
07.12.1832 Protesto dos Pares do Reino, dirigido a D. Pedro I, protestanto contra a prisão do Conde da Taipa.
17.12.1832 Bernardo de Sá Nogueira sai do Porto para Vigo onde procurará dialogar com o almirante Sartorius, cujas relações com D. Pedro se haviam degradado.
21.12.1832 De Londres, o marquês de Palmela escreve a D. Pedro, requerendo a exoneração do cargo de Ministro de Estado.
09.04.1833 O regente D. Pedro cria o Museu Portuense.
26.07.1833 Partida de D. Pedro, do Porto, para Lisboa, por mar.
05.08.1833 D. Pedro convida o Núncio Apostólico a retirar-se de Portugal, suspendendo-se as relações com a Cúria.
16.08.1833 O Ministro da Grã-Bretanha apresenta credenciais a D. Pedro, reatando as relações suspensas.
22.08.1833 O Governo de Paris acredita junto de D. Pedro um Encarregado de Negócios.
18.10.1833 D. Pedro recebe em audiência o novo cônsul britânico, coronel Here.
26.10.1833 Saindo do Cartaxo, D. Pedro aproxima-se de Santarém para observar as posições adversárias.
28.10.1833 Em Lisboa, D. Pedro recebe em audiência o embaixador britânico, Lorde William Russell.
31.10.1833 D. Pedro recebe em audiência o embaixador de França.
05.11.1833 D. Pedro recebe em audiência o embaixador britânico, o cônsul do Brasil e o encarregados de negócios da Suécia e Noruega.
21.11.1833 Decreto assinado pelo regente D. Pedro nomeando 9 censores para "exame e revisão dos papéis escritos".
26.11.1833 D. Pedro volta a deslocar-se ao Cartaxo, onde permanecerá junto ao Quartel-General durante dois dias.
12.12.1833 Parte de Lisboa D. Pedro para Vila Nova da Rainha, a inspecionar os corpos do exército.
14.12.1833 Volta a Lisboa D. Pedro, proveniente do Cartaxo onde visitara as fileiras.
09.02.1834 O Papa Gregório XVI excomunga D. Pedro de Bragança.
27.05.1834 D. Pedro e a Família Real são apupados no Teatro de S. Carlos, devido à benevolência da Convenção de Évora-Monte.
30.05.1834 Extinção das ordens religiosas masculinas e nacionalização dos seus bens, medida da responsabilidade exclusiva do regente D. Pedro e do ministro Joaquim António de Aguiar, que ficou conhecido pelo "Mata-Frades".
25.07.1834 A rainha D. Maria II e seu pai o regente D. Pedro embarcam no Arsenal da Marinha de Lisboa para o Porto.
27.07.1834 Chegada ao Porto de D. Maria IIe D. Pedro.
06.08.1834 D. Maria II e D. Pedro embarcam de regresso a Lisboa.
18.08.1834  A Primeira sessão parlamentar, com discussão da proposta do ministro do Reino para que D. Pedro conservasse a regência até à maioridade da Rainha.
30.08.1834 D. Pedro presta juramento solene como Regente, no Palácio da Ajuda.
01.09.1834 Início do debate sobre a autorização do casamento da Rainha com um príncipe estrangeiro, o que era expressamente proibido pelo artigo 90.º da Carta Constitucional. O príncipe estrangeiro com que se tencionava casar a Rainha era o duque Augusto de Leuchtenberg, filho de Eugénio de Beauharnais (filho da imperatriz Josefina e filho adoptivo de Napoleão Bonaparte) e cunhado de D. Pedro, por ser irmão mais velho da imperatriz Amélia, segunda mulher do regente.
15.09.1834 No Palácio de Queluz, D. Pedro dita o seu testamento.
18.09.1834 D. Pedro envia uma mensagem às Cortes a pedir escusa da Regência, devido ao seu estado de saúde.
24.09.1834 Morte de Sua Alteza Imperial Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim, Duque de Bragança, da Dinastia de Bragança,
Regente em nome de Dona Maria II de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc, por 2 anos, 6 meses e 21 dias, um pai extremoso e um general de fibra.

De Queluz, para Queluz.
O começo e o fim.

A morte de Dom Pedro, Infante de Portugal, Príncipe da Beira, «Condestável do Brasil», Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 20 de março de 1816 até 12 de outubro de 1822 (6 anos, 6 meses e 12 dias), pela graça de Deus e a aclamação unânime do povo Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil de 2 de outubro de 1822 até 7 de abril de 1831 (8 anos 7 meses), Principe Real e Herdeiro da Coroa de Portugal de 12 de outubro de 1822 até 10 de março de 1826 (4 anos 5 meses e dias), Rei de Portugal e Algarves, de ambos os lados do mar da África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. de 10 de março até 2 de maio de 1826 (1 mês e 22 dias), Duque de Bragança de 15 de junho de 1831 até o dia de sua morte.
Pedro que foi:
Grão-Mestre da Imperial Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo
Grão-Mestre da Imperial Ordem de São Bento de Avis
Grão-Mestre da Imperial Ordem de Sant'Iago da Espada
Grão-Mestre da Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul
Grão-Mestre da Imperial Ordem de Pedro Primeiro
Grão-Mestre da Imperial Ordem da Rosa
Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo
Grão-Mestre da Ordem de São Bento de Avis
Grão-Mestre da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
Grão-Mestre da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
Grão-Mestre da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa
Espanha: Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro
Espanha:  Grã-Cruz da Ordem de Carlos III
Espanha Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica
França Cavaleiro da Ordem de São Luís
França Cavaleiro da Ordem de São Miguel
Hungria Grã-Cruz da Ordem de Santo Estêvão


No dia 24 de setembro de 1834, no mesmo Quarto Dom Quixote, em que nascera 35 anos antes, faleceu Sua Majestade Imperial e Real Dom Pedro de Alcântara, o Duque de Bragança, tendo ao lado sua segunda esposa, Dona Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Beauharnais, tratada na Corte de Lisboa por “ a Imperatriz”, mas oficialmente Sua Majestade Imperial, a Duquesa de Bragança, e Sua Majestade Fidelíssima Dona Maria II,  A Rainha de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc., por quem o moribundo havia dedicado toda a sua mocidade na reconquista de seus Direitos Dinástico.
A filha mais nova de Dom Pedro e de Dona Amélia, a Princesa Dona Maria Amélia Augusta Eugénia Josefina Luísa Teodolinda Heloísa Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, tinha só três anos de idade.



Dom Pedro com a
Banda das Três Ordens
Que representa a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a Ordem Militar de Avis e a Ordem Militar de Cristo.

Vou usar as palavras do escritor anônimo que publicou no verbete Dom Pedro do http://geneall.net/pt/:
Tendo abdicado duas coroas, o ex-Imperador do Brasil e ex-Rei de Portugal, reduzido ao título de Duque de Bragança, abandona o Brasil e dirige-se para a Europa com a filha D. Maria II, rainha de nome, por cujo trono se batiam os liberais portugueses espalhados pela Europa, ou reunidos na ilha Terceira.
O Duque de Bragança decide empenhar-se pessoalmente na solução do pleito e a 3 de março de 1832 assume a regência e nomeia um ministério do qual faz parte Mouzinho da Silveira. (José Xavier Mouzinho da Silveira * Castelo de Vide, Santa Maria da Devesa, 12.07.1780 † Lisboa, Lisboa, 04.04.1849)
Data de então a fase decisiva da luta entre liberais e absolutistas, caracterizada, fundamentalmente, pela revolucionária legislação de Mouzinho e pelo entusiasmo e abnegação de D. Pedro, na preparação da expedição militar que, dos Açores, chegará às costas portuguesas (no Norte, próximo de Mindelo), para sentar no trono a jovem soberana e impor a Carta. E nos longos meses do cerco do Porto que o regente, não obstante os defeitos de carácter e de educação, dá a plena medida da pertinácia e dedicação pela causa que encabeçava. A convenção de Évora Monte põe fim a esta cruel guerra civil, e exila o rei absoluto.
Pouco mais viveria D. Pedro: só o tempo suficiente para ver as Cortes reunidas de acordo com a carta, tendo falecido 4 dias após o começo do reinado de D. Maria II; apenas com 36 anos.
Apaixonado, incoerente e corajoso, o nome e a atuação de D. Pedro são indissociáveis da experiência liberal portuguesa, que assinala o início do Portugal contemporâneo: mal ou bem, melhor ou pior, o possível Portugal contemporâneo e europeu principiou aí.
Deixava os negócios do reino de sua filha de facto nas mãos do sempre fiel Duque de Palmela, e do Conselho de Ministros composto por:
Dom José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 1.º conde de Vila Real, Morgado de Mateus, Cumeeira, Sabrosa, Arroios, Moraleiros e Fontelas, Par do Reino, nobre (sobrinho do Duque de Palmela, Conselheiro de Estado, e por várias vezes ministro;
José da Silva Carvalho, Par do Reino, Conselheiro de Estado efetivo, Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada de Portugal e da Ordem de Carlos III de Espanha, tendo recusado por várias vezes títulos de nobreza que lhe encobrissem a sua origem plebeia, em virtude de ser Maçon. O seu filho João da Silva Carvalho, todavia, aceitou o título de 1.º Visconde de Silva Carvalho;
Agostinho José Freire, militar que chegou ao posto de Major, Grã-Cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Grã-Cruz da Ordem de Carlos III de Espanha, Cavaleiro da Ordem Militar de Avis, Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, ministro e Conselheiro de Estado, deputado, Presidente das Cortes Constituintes de 1821, diretor do Real Colégio Militar, bacharel em Matemática pela Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra;
Manuel Duarte Leitão, Par do Reino, deputado, comendador da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, da Ordem Militar de Cristo, da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico, Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Auditor Geral do Exército , Juiz Desembargador do Tribunal da Relação de Bardez-Goa e, posteriormente, para as Praças de Damão e Diu, Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação,  Juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça., Conselheiro de Estado e membro da 1.ª Junta Provisional do Governo do Estado da Índia.
Dom Vitório Maria Francisco de Sousa Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa, segundo Conde de Linhares, gentil-homem da Câmara de D. Maria II, Par do Reino, Mestre-sala (oficial na Casa real que dirigia o cerimonial nas recepções do Paço Real e noutros atos solenes, relativo hoje ao cargo de Chefe do Protocolo), Ministro Plenipotenciário em Turim, Brigadeiro do Exército. Foi posteriormente Presidente interino do Conselho de Ministros de 4 de maio de 1835 a 27 de maio de 1835.Comendador da Ordem Militar de Cristo, Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, Estrela de Ouro de Montevideu (Uruguai), Comendador da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro (Reino da Sardenha, Itália).

 
Com a mulher Dona Leopoldina de Habsburgo, consolidou o Império do Brasil, que de facto foi fundado, ganhou forma., vida própria, através dos atos de seu pai o senhor Dom João VI, Rei de Portugal e etc, mas para que sua Dinastia, a Dinastia de Bragança, continuasse a reinar nesse Império Tropical vastíssimo deixou aqui seu filho nascido no Brasil, no Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 1825, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Rafael Gabriel Gonzaga, que jamais poderia ser Rei de Portugal já que era estrangeiro, pois havia nascido depois de nossa Independência.

Foi para Europa para lutar pela recuperação do Trono e da Coroa de Dona Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Luisa Gonzaga, sua primeira filha com Dona Leopoldina de Habsburgo, Princesa portuguesa por nascimento já que nasceu no Rio de Janeiro,  então capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, sob o reinado de seu avô o senhor Dom João VI, no dia 4 de abril de 1819, e que pelas Leis Portuguesas  podia e devia herdar o Trono Avoengo. 
Vemos que esse Príncipe, a exemplo do pai que migrou com tudo para o Brasil e assim salvar a Dinastia de Bragança a qual Napoleão I, Imperador dos Franceses, queria varrer do mapa, dos tronos europeus, etc e tal, também tinha esta preocupação - a de salvar Dinastia -  pois deixou um Príncipe de Bragança aqui, para recolocar uma Princesa de Bragança lá, além do Mar Oceano, a testa do familiar Império Transcontinental.

VALEU...






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